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Maior parte das pessoas que criou anticorpos para o coronavírus no Brasil teve sintomas e mudanças no olfato ou paladar, sugere estudo da UFPel

Os cientistas concluíram que apenas uma pequena parte dos pacientes não teve nenhum dos 11 sintomas indicados como sendo da Covid-19. A pesquisa, que ainda não foi divulgada em revista científica, vai na contramão de outras, que apontavam a maioria d

 
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A maior parte dos brasileiros que criou anticorpos para o novo coronavírus (Sars-CoV-2) teve sintomas da Covid-19 e sofreu mudanças no olfato ou paladar, sugere uma pesquisa, ainda não publicada, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e outras instituições brasileiras.

Os pesquisadores são responsáveis pela EpiCovid, o maior estudo sobre a prevalência da doença no país. Eles testaram e incluíram no estudo 31.869 pessoas de 133 cidades de todos os estados brasileiros.

Para detectar a presença de anticorpos para o vírus, os cientistas usaram um teste rápido, previamente validado. Os participantes, testados entre os dias 21 e 24 de junho, foram questionados sobre terem tido ou não algum sintoma da Covid-19 nos quatro meses anteriores, desde o início da epidemia no Brasil.

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A epidemiologista e pneumologista Ana Menezes, da UFPel, primeira autora do estudo, destaca que um ponto importante é que as pessoas foram questionadas sobre os sintomas antes de saberem do resultado do teste. Dessa forma, buscou-se evitar um viés nas respostas, explica Menezes.

Também foram excluídos da análise todos os que já tivessem um diagnóstico prévio de Covid-19 ou que não tivessem preenchido as informações sobre os sintomas.

O estudo está disponível em uma plataforma on-line desde quarta (12), mas ainda não passou por revisão de outros cientistas (a chamada "revisão por pares" ou "peer review", em inglês), etapa que é necessária para validação dos resultados e publicação deles em revista científica.

Veja as principais descobertas:

  1. 849 pessoas tiveram anticorpos detectados para o Sars-CoV-2 (o equivalente a 2,7% dos participantes).
  2. Dessas, apenas 12% disseram não ter tido sintomas da Covid-19 desde o início da pandemia. Ou seja: a maior parte dos que foram infectados teve sintomas da contaminação.
  3. Entre os que tiveram anticorpos detectados, a maior parte relatou ter tido dor de cabeça (58%), seguido de mudanças no olfato ou paladar (56,5%). A febre também apareceu em mais da metade dos pacientes (52,1%).
  4. Entre as pessoas que não tiveram os anticorpos detectados, 42% também não tinham os sintomas.

"Nós identificamos que, ao contrário do que é relatado com frequência, a maior parte das pessoas com anticorpos era sintomática", afirmam os pesquisadores no estudo.

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Para Menezes, a relação entre a alta frequência de mudanças no olfato ou paladar e a presença dos anticorpos torna esse sintoma muito importante no diagnóstico da Covid-19.

(A dor de cabeça, apesar de mais frequente, não teve tanta diferença de ocorrência entre os grupos que desenvolveram ou não os anticorpos – foi 1,6 vezes mais frequente nos tiveram resultado positivo).

"A mudança de olfato ou paladar foi cinco vezes mais frequente entre os que tiveram resultados positivos do que nos negativos", sinaliza a médica. Essa diferença pode ter sido de até 6 vezes, se consideradas as margens de erro definidas pelos pesquisadores.

"Nos primeiros estudos, feitos na China, com pacientes hospitalizados, a população analisada era diferente. Esse sintoma nem era investigado às vezes, nem se sabia desse sintoma", lembra Menezes. "Esse é o maior estudo populacional mostrando a importância e frequência desse sintoma".

A epidemiologista pondera, ainda, que fazer uma triagem dos pacientes que têm a "combinação" de mudanças no olfato ou paladar com a febre pode ajudar a determinar quem fará o teste PCR para a Covid-19, por exemplo, quando não houver testes suficientes para todos.

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No estudo, os pesquisadores afirmam que as mulheres relataram sintomas de forma mais frequente do que os homens, e os que tinham nível superior também os relataram com mais frequência. Crianças e adolescentes, por outro lado, tiveram a menor probabilidade de queixas.

"Em resumo, nossa análise mostra que a maioria dos indivíduos com anticorpos para o Sars-CoV-2 relatam ter tido sintomas, mesmo que, na maioria dos casos, eles tenham sido leves", ponderam os cientistas.

"Nossas descobertas podem ser usadas para implementar sistemas de vigilância no Brasil, o que ajudaria a identificar casos de forma precoce e guiar procedimentos de testagem", consideram.

Sintomas mais frequentes em pacientes com anticorpos para o Sars-CoV-2

Fonte: "High prevalence of symptoms among Brazilian subjects with antibodies against 3 SARS-CoV-2: a nationwide household survey", UFPel et al deslize para ver o conteúdo

Contramão

No estudo, os pesquisadores também destacam que os achados vão no sentido oposto ao de pesquisas anteriores, que apontavam que a maior parte das pessoas com Covid-19 não tem sintomas da doença.

"Aquela ideia de que a maioria dos casos não tem sintomas não é o que aparece no nosso estudo", ressalta Menezes, da UFPel. "Quem disse não para todos os 11 sintomas e teve o teste positivo foi apenas 12% dos casos".

Uma pesquisa feita no início da pandemia, em março, na China, mostrou que 86% de todas as infecções pelo Sars-CoV-2 no país não foram detectadas, o que levou ao entendimento de que a maioria desses casos era de pacientes assintomáticos.

Um outro estudo, divulgado em julho, mostrou que até 87% dos casos de Covid-19 em Wuhan, na China (onde o primeiro caso de Covid-19 foi detectado), eram leves ou sem sintomas e não chegaram a ser detectados.

Em junho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) precisou esclarecer que pessoas sem sintomas da Covid-19 podem transmitir a doença, depois de uma declaração da entidade que gerou polêmica ao redor do mundo.

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