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Presidente da Islândia é reeleito com 92,2% dos votos

O favoritismo se confirmou e se transformou em um triunfo contra o adversário da direita populista. Com folgadíssima margem, a Islândia reelegeu neste sábado 27 para um mandato de mais quatro anos o presidente Gudni Johannesson.

 
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O favoritismo se confirmou e se transformou em um triunfo contra o adversário da direita populista. Com folgadíssima margem, a Islândia reelegeu neste sábado (27) para um mandato de mais quatro anos o presidente Gudni Johannesson, com 92,2% dos votos.

Ao reeleger o professor de história de 52 anos, sem partido, a ilha vulcânica de 365 mil habitantes optou pela continuidade doze anos após a insolvência bancária de 2008, e na iminência de uma nova crise econômica mundial devido à pandemia do novo coronavírus. Seu adversário Gudmundur Franklin Jonsson conquistou apenas 7,8% dos votos.

A vitória democrática com um resultado digno de ditaduras foi prevista pelos institutos de pesquisa. Mas a taxa de participação foi menor que em anos anteriores: 66,9% dos 252.217 eleitores habilitados votaram nesse sábado, contra 75,7% em 2016, na primeira eleição de Johanneson.

Gudmundur Jonsson reconheceu rapidamente a derrota. "Envio meus parabéns a Gudni e sua família", declarou à emissora pública RUV o ex-corretor de Wall Street, próximo de nacionalistas islandeses.

O presidente Johannesson afirmou em entrevista que sua intenção é "continuar no mesmo caminho" político trilhado no primeiro mandato.

Regime parlamentarista

No regime parlamentar em vigor na ilha do norte da Europa, o chefe de Estado tem um papel essencialmente protocolar. Mas seu único poder real é importante: o direito constitucional de bloquear a promulgação de leis e convocar referendos populares para votá-las.

Foi no rastro da crise financeira de 2008 que esta forma de veto presidencial foi utilizada pela primeira vez. O presidente conservador Olafur Grimsson organizou dois referendos, em 2010 e 2011, sobre um acordo de indenização de clientes estrangeiros lesados pela insolvência de seu banco, o Icesave.

Johannesson, o presidente mais jovem eleito depois da independência do país, em 1944, desfruta de forte popularidade desde que chegou ao cargo, em 2016.

"Eu acredito que esta foi a escolha mais fácil da minha vida para votar. Tinha me decidido há muito tempo", contou à AFP uma de suas eleitoras, Ragnhildur Gunnlaugsdóttir, de 47 anos. "Por que mudar quando se está bem?", acrescentou Helga Linnet, outra eleitora de 46 anos.

Ao contrário de seu antecessor, Grimsson, que não hesitou em alimentar a controvérsia partidária, Johannesson insistiu no consenso durante sua permanência na residência presidencial de Bessastadir.

Consenso

Seu único adversário não conseguiu adesões ao seu programa polêmico. O ex-corretor de Wall Street de 56 anos, entrou para a política em 2010, ao criar o partido populista de direita Haegri graenir. Em um país onde a maioria dos poderes está na mão do governo e da atual primeira-ministra da esquerda ecologista, Katrin Jakobsdottir, o adversário Jonsson queria tornar a função presidencial mais ativa, ao utilizar mais, por exemplo, o referendo.

Para muitos, isto seria uma violação da tradição. "Realmente eu não gosto disto porque o presidente na Islândia tem um papel protocolar e não político", avaliou Audunn Gisli Arnason, um dos eleitores entrevistados pela AFP.

Sem grandes dificuldades, as presidenciais islandesas, que acontecem em um único turno, podem reivindicar um lugar à parte na história da igualdade entre homens e mulheres. Em 1980, o pleito levou à eleição da primeira mulher chefe de Estado do mundo, Vigdis Finnbogadottir, hoje com 90 anos.

Depois da Sérvia, no domingo passado (21), e antes da Polônia e da França, neste domingo (28), a Islândia é o segundo país a organizar uma eleição depois do início das medidas de confinamento adotadas na Europa para conter a disseminação da COVID-19. Além das medidas de precaução (distanciamento de dois metros e disponibilização de álcool em gel nas seções), a epidemia, praticamente contida na ilha, não teve impacto.

 

 

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