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Pais argentinos e filho recém-nascido, separados por 13 mil km devido ao coronavírus

Filho foi gerado por barriga de aluguel em Kiev, na Ucrânia, mas normas de quarentena por causa da Covid-19 impedem encontro com a criança.

 

José Pérez e Flavia Lavorino, de Buenos Aires, capital da Argentina, ainda não conheceram seu bebê Manu. Ele nasceu por meio de barriga de aluguel em Kiev, na Ucrânia, a 13 mil quilômetros de distância, numa época em que as quarentenas e fechamentos obrigatórios de fronteiras em todo o mundo por causa da pandemia do novo coronavírus impedem que os novos pais viajem para encontrar o filho.

O casal, que só viu Manu em fotos e vídeos, está tentando encontrar uma maneira de chegar à Ucrânia, lutando para obter permissão depois que o país proibiu a entrada de cidadãos estrangeiros desde março.

Enfermeira alimenta bebê em enfermaria montada em hotel em Kiev, na Ucrânia — Foto: Sergei Supinsky/AFP

Os argentinos se somam a dezenas de casais na Europa e nos Estados Unidos que ainda não conseguiram encontrar seus bebês nascidos em barrigas de aluguel na Ucrânia, país onde esse método é legal.

"Qualquer pai que imagina seu filho longe sabe a angústia e a dor", disse Pérez à Reuters em Buenos Aires.

"É uma situação muito difícil. Recebemos fotos e vídeos de Manu uma vez por semana. Fizeram uma chamada de vídeo no aniversário de um mês, mas é muito difícil."

Bebês em hotel

Enfermaria para bebês recém-nascidos em um hotel de Kiev, capital da Ucrânia, nesta sexta-feira (15) — Foto: Sergei Supinsky/AFP

O Hotel Venice, onde estão Manu e outros bebês de aluguel, pertence à clínica BioTexCom, que divulgou vídeos e imagens dos bebês para alertar sobre a situação e instar o governo ucraniano a responder mais rapidamente.

O governo diz que só pode permitir que os pais entrem na Ucrânia se receber um pedido da embaixada relevante.

Lavorino disse que a frustração do casal estava piorando ao ver sinais de mais voos sendo abertos e outros casais sendo autorizados a chegar a Kiev com ajuda diplomática.

Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires (Argentina), fechado por causa da pandemia de Covid-19, em foto de 21 de abril — Foto: Miguel Lo Bianco/Reuters

"Não entendemos qual é o problema, ainda nem nos deram uma resposta lógica para explicar por que isso não pode ser articulado. Existem voos", afirmou.

"Há um mês, fomos informados de que nem um único voo chegava a Kiev. Ok, impossível então, mas agora não, agora os aviões chegam."

Em todo o mundo pessoas estão presas em quarentenas obrigatórias devido à pandemia de coronavírus, que causou cerca de 313 mil mortes e infectou quase 5 milhões de pessoas.

Para Pérez e Lavorino, estar a meio mundo de distância de seu recém-nascido, Manu, tem sido o mais difícil.

"Em algum momento nos disseram extraoficialmente que estão lidando principalmente com os mais vulneráveis. Eu me pergunto, um bebê de 47 dias, ele não é vulnerável? Eu acho que ele é", disse Pérez.

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