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Estudante de Mogi na Indonésia busca ajuda para retornar ao Brasil após ter voo cancelado

Nicolas Puglisi, de 24 anos, tinha passagem comprada para esta segunda-feira 30 . Sem conseguir apoio da companhia aérea, ele e outros brasileiros tentam auxílio do Itamaraty.

 
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Um estudante de Mogi das Cruzes busca ajuda para retornar da Indonésia ao Brasil em meio à pandemia provocada pelo novo coronavírus. Nicolas Puglisi, de 24 anos, tinha um voo de volta marcado para esta segunda-feira (30), que foi cancelado pela companhia aérea Emirates na última semana devido à pandemia. Ele está em Bali e, juntamente da namorada e de outros brasileiros que estão no local, tem tentado auxílio das autoridades brasileiras para voltar ao país.

Nicolas conta que soube dos cancelamentos de voos por parte da Emirates na última segunda-feira (23). No domingo da semana passada, a companhia aérea havia anunciado que, devido à pandemia, suspenderia seus voos comerciais a partir da quarta-feira, dia 25, exceto para 13 destinos.

Painel mostra voos cancelados ou sem operação em aeroporto de Bali — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal Painel mostra voos cancelados ou sem operação em aeroporto de Bali — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal

Painel mostra voos cancelados ou sem operação em aeroporto de Bali — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal

No momento em que ficou sabendo do cancelamento pelas redes sociais da Emirates, Nicolas conta que tentou contato pelos meios de comunicação da companhia, seja por telefone ou pela internet, para tentar adiantar a passagem e retornar ao Brasil, mas não teve sucesso. No dia 24, logo pela manhã, ele foi ao aeroporto na Indonésia para tentar atendimento presencial da companhia, mas também não conseguiu solucionar o problema.

"Dia 25 de março é um dia religioso em Bali, e simplesmente todos os estabelecimentos, inclusive os aeroportos, fecham e não operam de forma alguma. Minha única opção foi, no dia 24 de manhã, correr para o aeroporto e tentar resolver com o atendimento ao cliente deles, de alguma forma, onde tentei fazer a alteração de companhia, pedi para que eles dessem algum tipo de recurso".

Turista tenta voltar da Indonésia para o Brasil após voo ser cancelado — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal Turista tenta voltar da Indonésia para o Brasil após voo ser cancelado — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal

Turista tenta voltar da Indonésia para o Brasil após voo ser cancelado — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal

"Quando chegamos ao aeroporto, encontramos uma situação bem difícil. A Emirates se negou, não só a nós, mas a qualquer passageiro de qualquer nacionalidade, a prestar qualquer tipo de ajuda. Havia pessoas dentro do escritório se escondendo dos passageiros. Tivemos que insistir muito para conseguir falar. Eles prometeram que abririam o escritório para nós e não abriram. Eles nos atenderam na porta, com a porta semiaberta. Eles não deram nenhuma opção de volta para casa. Nós questionamos sobre a possibilidade de alterar para companhias parceiras deles, porque sabíamos que havia algumas companhias que ainda estavam voando de volta para o Brasil, e eles falaram que não fariam isso".

Nicolas diz que a companhia aérea ofereceu um voucher no valor da passagem que poderia ser usado para uma futura viagem. "Isso não resolveria, em nenhum momento, nossa questão de estadia e alimentação. Quando questionados sobre isso, eles se negaram a dar qualquer tipo de resposta e pediram para que contatássemos a embaixada".

Comunicado diz que escritório da Emirates no aeroporto ficaria fechado até 30 de junho — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal Comunicado diz que escritório da Emirates no aeroporto ficaria fechado até 30 de junho — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal

Comunicado diz que escritório da Emirates no aeroporto ficaria fechado até 30 de junho — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal

O estudante de Mogi, então, recorreu às autoridades brasileiras para tentar encontrar uma maneira de retornar ao país. Ele entrou em contato com um número de plantão disponibilizado pelo Ministério das Relações Exteriores, que criou um Grupo Consular de Crise para dar assistência a brasileiros no exterior afetados pela pandemia do coronavírus.

"Foi bem útil, conseguiu dar algumas orientações, mas que ainda não resolveu muita coisa. Com o consulado, foram conversadas algumas situações em cenários mais extremos, e eles comentaram que poderia ser oferecida alguma ajuda financeira e material, o que ainda não sabemos o que significa e que ainda gera receio em todos os brasileiros em relação ao que seria, quanto tempo demoraria, o que seria necessário para comprovar essa real ajuda e de que forma que isso viria. Estamos bem sem saber o que fazer. O consulado tem prestado um serviço, se mantido em contato, porém ainda não tem nenhuma posição em que a gente consiga se sentir confortável ou fazer um planejamento para os próximos 15 dias, 30 dias ou dois meses".

Ele e outros brasileiros que estão na Indonésia tentando retornar ao país também estão em um grupo de WhatsApp, com cerca de 150 participantes. Lá eles trocam informações e mantêm contato com funcionários da Embaixada, que vêm atualizando os participantes diariamente em relação a uma possível repatriação. A Embaixada do Brasil na Indonésia também pede para que os brasileiros com dificuldades de retornar ao país realizem um cadastro por e-mail.

A preocupação de Nicolas e dos outros brasileiros em não conseguir planejar o retorno ao Brasil diz respeito, principalmente, aos recursos financeiros, uma vez que muitos deles já tinham a volta planejada para o país nos próximos dias e, neste momento, não sabem exatamente quando poderão embarcar.

"Estamos em um número de nove brasileiros, que estão se comunicando, mas temos conhecimento de mais alguns que estão na mesma situação. Estamos tentando ajudar uns aos outros, mudando hotéis, indo para hotéis mais baratos, cortando a alimentação fora e só cozinhando. Alguns brasileiros conseguiram abrigo em casas de moradores locais".

Foto mostra atendimento em aeroporto vazio em Bali — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal Foto mostra atendimento em aeroporto vazio em Bali — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal

Foto mostra atendimento em aeroporto vazio em Bali — Foto: Nicolas Puglisi/Arquivo Pessoal

O que diz a Emirates

A reportagem do G1 entrou em contato com a Emirates e questionou a empresa sobre o suporte oferecido e as alternativas que estão sendo dadas aos passageiros afetados pelos cancelamentos dos voos.

Por e-mail, a companhia aérea disse que muitas das restrições de voos e viagens por países ao redor do mundo foram postas em prática com muito pouco aviso prévio e que "entende que isso atrapalha viagens, mas, como operadora de linhas aéreas, precisa seguir as diretrizes governamentais e regulatórias".

"Em 23 de março, o governo dos Emirados Árabes Unidos ordenou que todos os voos de / para e em trânsito dos Emirados Árabes Unidos fossem suspensos por duas semanas. Isso significa que todos os voos de passageiros da Emirates devem ser temporariamente suspensos a partir de 25 de março. Desde então, nossas equipes têm trabalhado duro para informar os clientes e remarcar o maior número possível de voos restantes ou outros. Mas como muitas companhias aéreas já reduziram significativamente seus voos, simplesmente não é possível acomodar todos os viajantes", disse a Emirates.

A Emirates falou que os clientes afetados devem obter mais informações sobre crédito para voos futuros ou reembolsos por meio do site da companhia. A empresa disse ainda que "os viajantes que procuram assistência para repatriamento devem entrar em contato com as embaixadas".

O que diz o Itamaraty

A reportagem também entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, na última quinta-feira (26), para saber de que maneira estava ocorrendo a ajuda a esses brasileiros.

Por e-mail, o órgão disse que, em conjunto com a ANAC, estava negociando a realização de voos comerciais que permitam aos brasileiros retornar ao país. "A Embaixada do Brasil em Jacarta continua trabalhando para assegurar o retorno de todos os brasileiros atingidos pelas restrições de movimentação", disse.

Em novo contato nesta segunda-feira, o Itamaraty disse que 8.600 brasileiros foram repatriados desde o início da crise e que, neste momento, contabiliza 121 brasileiros retidos na Indonésia, sendo que boa parte deles se encontra em Bali: "a Indonésia instituiu severas restrições de movimentação interna, e o Itamaraty está buscando a melhor forma de conseguir repatriar esses nacionais. Caso ainda não o tenham feito, os brasileiros devem manter contato com a Embaixada do Brasil em Jacarta".

O Itamaraty informou ainda que "os brasileiros que se encontrarem em situação de dificuldade podem solicitar ajuda ao consulado ou à embaixada em sua região, os quais buscarão, de acordo com as limitações legais existentes, dar apoio aos nacionais em situação de hipossuficiência financeira".

 

 

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