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Bombardeios incessantes provocam êxodo em massa no norte da Síria

Regime de Assad tenta recuperar terreno no último grande reduto de rebeldes, fazendo centenas de milhares de pessoas fugirem, num movimento de proporções inéditas no país em guerra.

 
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Dois meses após a retomada de sua ofensiva para recuperar o controle da região de Idlib, o regime sírio de Bashar al-Assad bombardeia de forma incessante o último grande reduto de jihadistas e rebeldes em seu país, o que causou o êxodo de quase um milhão de pessoas.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a chilena Michelle Bachelet, disse nesta terça-feira (17) estar "horrorizada" com a violência no noroeste da Síria e exigiu "corredores humanitários" para facilitar a passagem de civis em segurança.

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Com os combates e ataques conduzidos pelo regime de Assad e seu aliado russo, cerca de 900 mil pessoas fugiram da região de Idlib e arredores desde 1º de dezembro, a grande maioria mulheres e crianças, informou a ONU na segunda-feira, reiterando seu apelo por um cessar-fogo.

Imagens de satélite mostram a diferença de ocupação em fevereiro de 2019 e fevereiro de 2020 em Deir Hassan, perto da fronteira da Síria com a Turquia. O local recebeu muita novas tendas de pessoas que fogem do conflito na província de Idlib — Foto: Maxar Technologies/Associated Press

Imagens de satélite mostram a diferença de ocupação em fevereiro de 2019 e fevereiro de 2020 em Deir Hassan, perto da fronteira da Síria com a Turquia. O local recebeu muita novas tendas de pessoas que fogem do conflito na província de Idlib — Foto: Maxar Technologies/Associated Press

Esse êxodo é inédito desde o início da devastadora guerra na Síria em 2011, que já deixou mais de 380 mil mortos e milhões de deslocados.

Caminhões com pertences de pessoas deslocadas em Sarmada, na província síria de Idlib — Foto: Reuters/Khalil Ashawi Caminhões com pertences de pessoas deslocadas em Sarmada, na província síria de Idlib — Foto: Reuters/Khalil Ashawi

Caminhões com pertences de pessoas deslocadas em Sarmada, na província síria de Idlib — Foto: Reuters/Khalil Ashawi

Mapa mostra localização da região de Idlib — Foto: G1 Mapa mostra localização da região de Idlib — Foto: G1

Mapa mostra localização da região de Idlib — Foto: G1

Os civis em fuga "estão traumatizados e são forçados a dormir ao ar livre com temperaturas congelantes, já que os campos (de refugiados) estão lotados", disse o vice-secretário-geral para Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock, em comunicado.

"As mães queimam plástico para aquecer seus filhos. Bebês e crianças pequenas morrem de frio", lamentou.

As famílias mais sortudas encontram um lugar nos acampamentos informais para deslocados, onde dezenas de milhares de pessoas tentam sobreviver em condições insalubres. As outras passam a noite em seu veículo ou montam uma barraca improvisada no meio dos acampamentos.

Quase diariamente na província de Idlib e arredores, as estradas são invadidas por caminhões e carros carregados com os pertences daqueles que fogem para a fronteira com a Turquia, disseram correspondentes da AFP.

Imagens de satélite mostram a diferença de ocupação em fevereiro de 2019 (imagem de cima) e fevereiro de 2020 (imagem de baixo) em Deir Hassan, perto da fronteira da Síria com a Turquia. O local recebeu muita novas tendas de pessoas que fogem do conflito na província de Idlib — Foto: Maxar Technologies via AP Imagens de satélite mostram a diferença de ocupação em fevereiro de 2019 (imagem de cima) e fevereiro de 2020 (imagem de baixo) em Deir Hassan, perto da fronteira da Síria com a Turquia. O local recebeu muita novas tendas de pessoas que fogem do conflito na província de Idlib — Foto: Maxar Technologies via AP

Imagens de satélite mostram a diferença de ocupação em fevereiro de 2019 (imagem de cima) e fevereiro de 2020 (imagem de baixo) em Deir Hassan, perto da fronteira da Síria com a Turquia. O local recebeu muita novas tendas de pessoas que fogem do conflito na província de Idlib — Foto: Maxar Technologies via AP

Escolas e hospitais bombardeados

"A violência no noroeste da Síria é cega", disse Lowcock. "Instalações de saúde, escolas, áreas residenciais, mesquitas e mercados estão sob ataque", acrescentou.

Mas o regime não parece disposto a interromper sua ofensiva, apesar dos pedidos de cessar-fogo, depois que suas forças, ajudadas pela Rússia, Irã e Hezbollah libanês, recuperaram o controle de 70% do território sírio

Assad alertou na segunda-feira que continuará a ofensiva. "A batalha pela libertação das províncias de Aleppo e Idlib continua", disse ele.

Mais de 900 mil pessoas fogem de Aleppo, na Síria, após Exército retomar a província

Mais de 900 mil pessoas fogem de Aleppo, na Síria, após Exército retomar a província

Os jihadistas do grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS, antiga facção síria da Al-Qaeda) dominam mais da metade de Idlib, bem como áreas nas províncias de Aleppo, Hama e Lataquia, onde outras facções jihadistas também operam, além de grupos rebeldes.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), mais de 380 civis morreram desde meados de dezembro na ofensiva.

As forças do governo estão atualmente concentrando suas operações no oeste de Aleppo, informou o OSDH, relatando ataques aéreos russos nesta terça no oeste dessa província e em setores de Idlib.

As forças do regime tentam avançar "na direção da montanha Sheikh Barakat", que domina vastas regiões no oeste de Aleppo e norte de Idlib, perto da fronteira com a Turquia, segundo o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Soldados do regime de Assad fazem sinal da vitória na vizinhança de Rashideen, em Aleppo, no domingo (16). O governo de Assad diz que tem reconquistado territórios antes dominados por rebeldes em "tempo recorde" — Foto: AP/Sana Soldados do regime de Assad fazem sinal da vitória na vizinhança de Rashideen, em Aleppo, no domingo (16). O governo de Assad diz que tem reconquistado territórios antes dominados por rebeldes em "tempo recorde" — Foto: AP/Sana

Soldados do regime de Assad fazem sinal da vitória na vizinhança de Rashideen, em Aleppo, no domingo (16). O governo de Assad diz que tem reconquistado territórios antes dominados por rebeldes em "tempo recorde" — Foto: AP/Sana

Rahman ressalta que, se o regime tomar Sheikh Barakat, "os campos de deslocados que abrigam dezenas de milhares de pessoas poderão ficar ao alcance de sua artilharia".

No domingo, as forças do governo, com o apoio da força aérea russa, reconquistaram localidades próximas à cidade de Aleppo, repelindo os ataques de jihadistas e rebeldes, que dispararam foguetes.

 

 

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