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‘Coincidência retórica’, diz secretário de Cultura sobre discurso semelhante ao de ministro de Hitler

Roberto Alvim e Joseph Goebbels falaram em arte nacional heroica e imperativa .

 
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O secretário especial de Cultura do governo do presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (17), em post em sua conta no Facebook, que o discurso dele semelhante ao do ministro de Adolf Hitler da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels, é “coincidência retórica”.

Assim como Goebbels havia afirmado em meados do século XX que a "arte alemã da próxima década será heroica” e “imperativa”, Alvim afirmou que a “arte brasileira da próxima década será heroica” e “imperativa”.

Em seu esclarecimento, no Facebook, Alvim afirmou que "o trecho fala de uma arte heroica e profundamente vinculada às aspirações do povo brasileiro". "Não há nada de errado com a frase", completou.

"Todo o discurso foi baseado num ideal nacionalista para a Arte brasileira, e houve uma coincidência com UMA frase de um discurso de Goebbles... Não o citei e JAMAIS o faria. Foi, como eu disse, uma coincidência retórica. Mas a frase em si é perfeita: heroísmo e aspirações do povo. É o que queremos ver na Arte nacional", disse Alvim.

Post de Roberto Alvim no Facebook sobre fala semelhante a de ministro de Adolf Hitler Joseph Goebbels — Foto: Reprodução/Facebook Post de Roberto Alvim no Facebook sobre fala semelhante a de ministro de Adolf Hitler Joseph Goebbels — Foto: Reprodução/Facebook

Post de Roberto Alvim no Facebook sobre fala semelhante a de ministro de Adolf Hitler Joseph Goebbels — Foto: Reprodução/Facebook

Discurso para lançar prêmio de artes

Secretário da Cultura Roberto Alvim cita frase de Joseph Goebbels em discurso

Secretário da Cultura Roberto Alvim cita frase de Joseph Goebbels em discurso

A declaração de Alvim foi dada em vídeo postado na página da Secretaria Especial de Cultura no YouTube nesta quinta-feira (16) para divulgar um concurso nacional de artes. O vídeo ganhou grande repercussão nas redes sociais e tanto o nome do secretário Alvim quanto o de Goebbels foram parar entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil.

O vídeo, em que Alvim aparece sentado a uma mesa de gabinete com uma imagem de Bolsonaro e uma bandeira do Brasil, tem como música de fundo a obra Lohengrin, de Richard Wagner (1813-1883). O artista é um maestro e compositor alemão que escreveu ensaios nacionalistas e antissemitas, e foi tomado pelos nazistas como exemplo de superioridade musical e intelecto.

O discurso de Goebbels consta do livro “Joseph Goebbels: Uma biografia”, do historiador alemão Peter Longerich.

Compare os discursos:

Roberto Alvim

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada.”

Joseph Goebbels

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada."

Prêmio Nacional de Artes

No discurso de Alvim, ele divulga o Prêmio Nacional das Artes, que promete patrocinar produções inéditas em diferentes áreas da cultura, como óperas, contos, espetáculos teatrais, pintura e escultura. O valor total do prêmio, segundo o governo federal, é de R$ 20,625 milhões.

"Queremos uma cultura dinâmica, mas ao mesmo enraizada na nobreza de nossos mitos fundantes. A pátria, a família, a coragem do povo e sua profunda ligação com Deus amparam nossas ações na criação de políticas públicas. As virtudes da fé, da lealdade, do autossacrifício e da luta contra o mal serão alçadas ao território sagrado das obras de arte", afirma Alvim no vídeo.

"Almejamos uma nova arte nacional, capaz de encarnar simbolicamente os anseios dessa imensa maioria da população brasileira com artistas dotados de sensibilidade e formação intelectual, capazes de olhar fundo e perceber os movimentos que brotam do coração do Brasil, transformando-os e poderosas formas estéticas."

FALAS DE SECRETÁRIO DA CULTURA E MINISTRO NAZISTA

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