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França tem dia de greve geral contra reforma da Previdência; mais de 180 mil participam de protestos

Projeto do governo Macron prevê a eliminação de 42 regimes de aposentadorias especiais.

 
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A França enfrenta nesta quinta-feira (5) um dia de greve geral contra o projeto de reforma da Previdência defendido pelo presidente Emmanuel Macron. A paralisação afeta vários serviços como trens, aviões, escolas e hospitais.

Mais de 180 mil manifestantes estavam nas ruas nesta tarde (horário de Paris) em cerca de 30 cidades, de acordo com o jornal "Le Monde". Quase 250 protestos estão previstos para ocorrer em dezenas de cidades francesas.

As autoridades anunciaram a mobilização 6 mil policiais para reforçar a segurança durante a passeata em Paris.

A greve fez com que quase 90% das viagens dos trens de alta velocidade fossem canceladas. Dez das 16 linhas de metrô de Paris foram fechadas, centenas de voos foram cancelados e muitas escolas não abriram as portas.

Para evitar o caos nos transportes, muitos franceses decidiram caminhar de suas casas até o local de trabalho. Outros optaram por trabalhar de casa.

Manifestantes caminham nesta quinta-feira (5) pelas ruas de Paris, na França, para protestar contra o projeto de reforma da previdência proposto pelo governo de Emmanuel Macron  — Foto: Alain Jocard / AFP Manifestantes caminham nesta quinta-feira (5) pelas ruas de Paris, na França, para protestar contra o projeto de reforma da previdência proposto pelo governo de Emmanuel Macron  — Foto: Alain Jocard / AFP

Manifestantes caminham nesta quinta-feira (5) pelas ruas de Paris, na França, para protestar contra o projeto de reforma da previdência proposto pelo governo de Emmanuel Macron — Foto: Alain Jocard / AFP

"Pedi para trabalhar de casa hoje, mas espero que a greve não dure muito porque não posso fazer isto por muito tempo", declarou à AFP Diana Silavong, executiva em uma empresa farmacêutica.

Voos

A paralisação de parte dos controladores aéreos obrigou a Air France a cancelar 30% dos voos domésticos e 15% dos voos europeus. A empresa informou, no entanto, que todos os voos de longa distância serão mantidos.

A companhia britânica de baixo custo EasyJet cancelou 223 voos nacionais e internacionais de curta distância e advertiu que outras viagens podem sofrer atrasos.

Escolas fechadas

Manifestante participa de ato em dia de greve contra os planos de reforma da previdência nesta quinta-feira (5) em Marselha, o sul da França  — Foto: Jean-Paul Pelissier/ Reuters Manifestante participa de ato em dia de greve contra os planos de reforma da previdência nesta quinta-feira (5) em Marselha, o sul da França  — Foto: Jean-Paul Pelissier/ Reuters

Manifestante participa de ato em dia de greve contra os planos de reforma da previdência nesta quinta-feira (5) em Marselha, o sul da França — Foto: Jean-Paul Pelissier/ Reuters

Muitas escolas do país não abriram as portas. O ministério da Educação afirma que a greve atingiu 51,1% das creches e escolas de ensino elementar. No ensino primário e secundário, 42,3% dos professores cruzaram os braços.

Bernadette Groison, secretária-geral do FSU, o principal sindicato dos trabalhadores do setor de ensino, deu um balanço diferente. "Quase 70% dos professores do ensino básico estão em greve. Os números do ensino médio são similares. Nunca havia visto algo semelhante", disse à AFP a secretária-geral do FSU.

Policiais, garis, advogados, aposentados e motoristas de transportadoras, assim como os "coletes amarelos", o influente movimento social surgido em novembro de 2018 na França, aderiram à greve.

O movimento de protesto também recebeu o apoio de 182 artistas e intelectuais, entre eles o economista Thomas Piketty, autor de um 'best-seller' sobre a desigualdade, assim como dos partidos de esquerda.

Proposta do governo

Em Marselha, manifestantes seguram uma faixa com a mensagem ‘Não toque na minha aposentadoria’ durante greve desta quinta-feira (5) contra o plano de reforma da previdência do governo francês  — Foto: Jean-Paul Pelissier/ Reuters Em Marselha, manifestantes seguram uma faixa com a mensagem ‘Não toque na minha aposentadoria’ durante greve desta quinta-feira (5) contra o plano de reforma da previdência do governo francês  — Foto: Jean-Paul Pelissier/ Reuters

Em Marselha, manifestantes seguram uma faixa com a mensagem ‘Não toque na minha aposentadoria’ durante greve desta quinta-feira (5) contra o plano de reforma da previdência do governo francês — Foto: Jean-Paul Pelissier/ Reuters

A indignação popular foi motivada pela reforma da Previdência preparada pelo governo de Macron, uma promessa de campanha que tem como objetivo eliminar os 42 regimes especiais que existem atualmente e que concedem privilégios a determinadas categorias profissionais.

O governo pretende estabelecer um sistema único, no qual todos os trabalhadores terão os mesmos direitos no momento de receber a aposentadoria.

Para o governo, este é um sistema mais justo e mais simples, no qual "cada euro contribuído dará a todos os mesmos direitos". Porém, os sindicatos temem que o novo sistema adie a aposentadoria, atualmente aos 62 anos e diminua o nível das pensões.

A maior parte dos países europeus já recuou a idade mínima para 65 anos, mas o projeto de Macron não altera a idade mínima legal da aposentadoria, estabelecida atualmente em 62 anos para mulheres e homens.

De acordo com a Rádio França, o projeto cria a noção de uma idade "ideal" de aposentadoria aos 64 anos, chamada de "idade pivô" pelos franceses, que viria acompanhada de um incentivo financeiro. Quem continuar trabalhando até 64 anos, receberia um bônus na pensão; aqueles que decidirem partir aos 62 anos, receberiam uma pensão menor.

No caso dos ferroviários da SNCF (companhia ferroviária nacional), por exemplo, o acordo da categoria permite solicitar o benefício da aposentadoria aos 50 anos e 8 meses.

Horas antes do início das manifestações, o jornal "Les Echos" publicou uma lista de pontos suscetíveis de flexibilização no projeto. O governo também estaria disposto a adiar a aplicação de várias etapas da reforma.

 

 

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