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'''A febre''', de Maya Da-Rin, é grande vencedor do 52º Festival de Cinema de Brasília; DF leva 16 prêmios

Festival terminou com protesto de mulheres do cinema e revelações divertidas de Severino Dadá. Veja lista de prêmios.

 
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O 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro terminou neste sábado (30) com 16 prêmios distribuídos para filmes do Distrito Federal, incluindo três para o documentário “O tempo que resta”, de Thaís Borges – única produção brasiliense premiada na Mostra Competitiva, de filmes nacionais.

O grande vencedor da noite, com maior número de premiações, foi “A febre”, de Maya Da-Rin. O longa-metragem levou cinco troféus Candango (veja lista completa abaixo), incluindo o de “melhor filme” pelo júri técnico. No gosto do público, o filme eleito como o melhor da edição foi o de Thaís Borges.

O produtor de “A febre”, Leonardo Mecchi, subiu ao palco todas as vezes para representar a equipe. Nas ocasiões, ele se manifestou contra as políticas adotadas pelo governo federal e falou sobre a produção audiovisual como instrumento de “resistência”.

“A gente vive um momento em tentam nos esmagar de várias formas, simbólicas e físicas", disse. “Temos que achar nossas brechas, ocupar esses espaços para mostrar que não, eles não vão conseguir.”

  • Equipe de 'A febre' lê carta de ator interrompido na abertura do festival

Cine Brasília durante a 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro  — Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Divulgação Cine Brasília durante a 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro  — Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Divulgação

Cine Brasília durante a 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Divulgação

Mecchi também levantou a necessidade de “aprender com quem está lutando muito antes que a gente: os negros, favelados, LGBTs e indígenas. Estes, que vêm sendo violentados há mais de 500 anos”. E citou o “Poeminho do Contra”, de Mário Quintana:

“Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho.”

Na Mostra Brasília, os vencedores foram o curta-metragem de guerrilha “Escola sem sentido”, de Thiago Foresti, e o longa documental “Dulcina”, de Glória Teixeira – que levou quatro prêmios. Os dois foram os favoritos tanto do júri popular, quanto do técnico.

O diretor do curta destacou a importância dos colaboradores do filme, que não contou com qualquer tipo de patrocínio do governo local ou federal. “Foi um filme colaborativo e, por isso, será distribuído online na semana que vem.”

Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução

Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução

Troféu Candango

Longas-metragens:

  • Melhor Ator: Regis Myrupu, por “A febre”, de Maya Da-Rin - R$ 15 mil
  • Melhor Atriz: Anne Celestino, por “Alice Júnior”, de Gil Baroni - R$ 15 mil
  • Melhor Ator Coadjuvante: Cauã Reymond, por “Piedade”, de Cláudio Assis - R$ 10 mil
  • Melhor Atriz Coadjuvante: Thais Schier, por “Alice Júnior”, de Gil Baroni - R$ 10 mil
  • Melhor Roteiro: Thais Borges, por “O tempo que resta”, dirigido por ela mesma - R$ 10 mil
  • Melhor Fotografia: Bárbara Álvares, por “A febre”, de Maya Da-Rin - R$ 10 mil
  • Melhor Direção de Arte: Carla Sarmento, por “Piedade”, de Cláudio Assis - R$ 10 mil
  • Melhor Trilha Sonora: Vinícius Nisi, por “Alice Júnior”, de Gil Baroni - R$ 10 mil
  • Melhor Som: Felippe Schultz Mussel, Breno Furtado e Emmanuel Croset, por “A febre”, de Maya Da-Rin - R$ 10 mil
  • Melhor Montagem: Pedro Giongo, por “Alice Júnior”, de Gil Baroni - R$ 10 mil
  • Melhor filme pelo júri técnico: "A febre”, de Maya Da-Rin - R$ 50 mil
  • Melhor Filme de Longa-Metragem pelo júri popular: “O tempo que resta”, de Thais Borges - R$ 50 mil
  • Melhor Direção: Maya Da-Rin, por “A febre” - R$ 30 mil

Prêmio especial do júri

  • Cláudio Assis, por “Piedade”

Menção honrosa

  • “Boca de ouro”, de Daniel Filho
  • “Um filme de verão, de Jô Serfaty

Troféu Candango

Curtas-metragens:

  • Melhor Filme de Curta-Metragem pelo júri técnico: “Rã”, de Julia Zakia e Ana Flávia Cavalcanti - R$ 20 mil
  • Melhor Filme de Curta-Metragem pelo júri popular: “Carne”, de Camila Kater - R$ 20 mil
  • Melhor Direção: Sabrina Fidalgo, por “Alfazema” - R$ 10 mil
  • Melhor Ator: Severino Dadá, por “A nave de Mané Socó”, dirigido por ele mesmo - R$ 5 mil
  • Melhor Atriz: Teuda Bara, por “ ngela”, de Marília Nogueira - R$ 5 mil
  • Melhor Roteiro: Camila Kater e Ana Júlia Carvalheira, por “Carne”, de Camila Kater - R$ 5 mil
  • Melhor Fotografia: João Castelo Branco, por “Parabéns a você”, de Andréia Kaláboa - R$ 5 mil
  • Melhor Direção de Arte: Isabele Bitencourt, por “Parabéns a você”, de Andréia Kalábora - R$ 5 mil
  • Melhor Trilha Sonora: Vivian Caccuri, por “Alfazema”, de Sabrina Fidalgo - R$ 5 mil
  • Melhor Som: “A nave de Mané Socó”, de Severino Dadá (PE) - R$ 5 mil
  • Melhor Montagem: André Sampaio, filho de Severino Dadá, “A nave de Mané Socó” - R$ 5 mil
  • Menção honrosa: “Ari y yo”, de Adriana de Faria

Mostra Brasília

  • Melhor longa-metragem pelo júri popular: “Dulcina”, de Glória Teixeira - R$ 20 mil
  • Melhor curta-metragem pelo júri popular: “Escola sem sentido”, de Thiago Foresti - R$ 10 mil
  • Melhor longa-metragem pelo júri técnico: “Dulcina”, de Glória Teixeira - R$ 50 mil
  • Melhor curta-metragem pelo júri técnico: “Escola sem sentido”, de Thiago Foresti - R$ 30 mil
  • Melhor direção: Adriana Vasconcelos, por “Mãe” - R$ 8 mil
  • Melhor ator: Wellington Abreu, por “Escola sem sentido”, de Thiago Foresti - R$ 4 mil
  • Melhor atriz: Bidô Galvão, Carmem Moretzhon, Françoise Forton, Glória Teixeira, Iara Pietricovsky, Theresa Amayo, que interpretaram Dulcina de Moraes em “Dulcina”, de Glória Teixeira - R$ 4 mil
  • Melhor roteiro: Rama de Oliveira, por “Mito e música – A Mensagem de Fernando Pessoa”, dela mesma e de André Luiz Oliveira - R$ 4 mil
  • Melhor fotografia: André Carvalheira, por “Ainda temos a imensidão da noite”, de Gustavo Galvão - R$ 4 mil
  • Melhor montagem: Marcius Barbieri, por “Ainda temos a imensidão da noite”, de Gustavo Galvão - R$ 4 mil
  • Melhor direção de arte: Úrsula Ramos e Demétrio Pina, por “Dulcina”, de Glória Teixeira - R$ 4 mil
  • Melhor edição de som: Laurent Mis, por “Mito e música – A Mensagem de Fernando Pessoa”, de André Luiz Oliveira e Rama Oliveira - R$ 4 mil
  • Melhor trilha sonora: André Luiz Oliveira, por “Mito e música – A Mensagem de Fernando Pessoa”, dele mesmo e de Rama Oliveira - R$ 4 mil

Protesto de mulheres

Mulheres protestam contra 'machismo no cinema' durante 52º Festival de Cinema de Brasília — Foto: Divulgação Mulheres protestam contra 'machismo no cinema' durante 52º Festival de Cinema de Brasília — Foto: Divulgação

Mulheres protestam contra 'machismo no cinema' durante 52º Festival de Cinema de Brasília — Foto: Divulgação

Antes e durante a cerimônia de premiação, manifestantes fizeram protestos no Cine Brasília. No hall do espaço, cerca de 30 mulheres organizaram um ato contra “o machismo no cinema”, momentos antes da exibição de “Giocondo Dias – Ilustre clandestino”, de Vladimir Carvalho, hors-concours da noite.

A manifestação foi inspirada no ato que ocorreu em Santiago, no Chile, no dia 25 de novembro. Na ocasião, centenas de mulheres fizeram um flashmob contra “machismo, o patriarcado e a cultura do estupro”.

No festival de cinema, o coletivo Movielas, em conjunto com o Coletivo das Diretoras de Fotografia do Brasil, Mulheres do Audiovisual no DF e o grupo percussivo Gandhia, reproduziram a performance.

De olhos vendados e marchando no lugar, elas cantaram o texto “Um estuprador em seu caminho”, do coletivo chileno LasTesis (veja vídeo abaixo).

Mulheres protestam contra 'machismo no cinema' durante 52º Festival de Cinema de Brasília

Mulheres protestam contra 'machismo no cinema' durante 52º Festival de Cinema de Brasília

Agradecimentos e 'ressalvas'

Depois, durante a premiação, diretoras, produtoras e realizadoras agradeceram os prêmios recebidos, mas fizeram ressalvas. A primeira delas foi a carioca Sabrina Fidalgo, que conquistou dois troféus Candango pelo curta “Alfazema”.

“É muito importante estar aqui, como mulher negra. Sempre sonhei em fazer cinema e nunca tive um espelho”, disse emocionada. “Machistas não passarão, mulheres sendo violentadas em roteiros escritos por homens perversos não passarão também.”

“Viva o cinema, viva às mulheres pretas, viva às mulheres sapatonas e viva aos erês.”

Ela convidou cerca de 20 mulheres que trabalharam em filmes exibidos no festival para subir ao palco e lerem, juntas, uma carta manifesto contra decisões da curadoria e da organização do festival.

“O 'Manifesta' foi escrito por mulheres feministas de diversas áreas de atuação no cinema. Reconhecemos as e os trabalhadores que construíram esse festival, que abre caminhos para a sociedade que acreditamos. No entanto, temos ressalvas:

A curadoria de um festival deve pensar na multiplicidade de gêneros, raça, sexualidade e territorialidade, e não deve validar discursos feminicidas, fascistas LGBTfóbicos e gordofóbicos.

Ao mercado audiovisual: produções audiovisuais devem interromper a exploração irresponsável dos nossos corpos nas telas. Não precisamos mais de imagens de mulheres sendo violentadas.

É injustificável nossa ausência em cargos de direção dentro do audiovisual. Todos devem assumir a responsabilidade pelo olhar coletivo sobre nós nas obras.

Atores e atrizes cis não devem representar pessoas trans e travestis.

A comissão dos organizadores de um festival deve compor uma curadoria diversa em gênero, sexualidade e território. Não deve assediar, interromper, silenciar ou censurar trabalhadores do audiovisual ou qualquer mulher em qualquer situação.

Foram muitas que construíram o caminho para que estivéssemos aqui agora. Nada será feito sobre nós sem nós.”

Diversidade

Minutos depois, a atriz paranaense Anne Celestino, protagonista do longa-metragem “Alice Júnior”, de Gil Baroni, subiu ao palco para receber o troféu Candango de “melhor atriz”. O filme conquistou quatro prêmios.

Anne reverenciou profissionais trans que a antecederam. “Agradeço a todas as mulheres trans que vieram antes de mim. Não precisamos de homens cis nos interpretando, somos capazes de representar nossas próprias histórias", disse.

A diretora brasiliense Thais Borges agradeceu o reconhecimento do júri pelo roteiro de “O tempo que resta”, escrito por ela. “A última coisa que eu esperava era um prêmio de roteiro para documentário. Ofereço a toda mulher que trabalha com audiovisual e ao meu pai.”

Thais Borges, diretora do longa-metragem 'O tempo que resta', selecionado para a mostra competitiva do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1 Thais Borges, diretora do longa-metragem 'O tempo que resta', selecionado para a mostra competitiva do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Thais Borges, diretora do longa-metragem 'O tempo que resta', selecionado para a mostra competitiva do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Em seguida, contou uma breve história pessoal. “Esse filme foi rodado na Amazônia, e a primeira vez que estive lá foi com meu pai, apaixonado pela floresta. Hoje, ele não está mais aqui.”

“Lembro que, quando decidi abandonar o emprego público para estar aqui, eu via medo nos olhos dele, porque ele veio de uma condição muito miserável. Eu sabia que ele não queria, mas ele disse ‘minha filha, vai correr atrás do seu sonho’. Então, eu dedico esse prêmio a ele.”

Além dos dois prêmios na Mostra Competitiva – de “melhor roteiro” e “melhor ator”, para Regis Mypuru – o filme recebeu o Prêmio Abracine de “melhor longa-metragem”.

O diretor paraibano Cláudio Assis subiu ao palco três vezes, para receber os prêmios de “melhor direção de arte”, “melhor ator coadjuvante” e “prêmio especial do júri”. Em cada uma das ocasiões, ele protestou contra o governo federal e o rumo das políticas voltadas para o audiovisual.

“Esse mundo que a gente está vivendo agora é um mundo cruel. Nós vivemos um momento miserável desse país, mas vamos vencer.”

Revelações divertidas

Já o diretor Severino Dadá arrancou risadas da plateia em todas as três vezes que foi receber o troféu Candango. Quando ganhou, pessoalmente, o prêmio de “melhor ator”, o pernambucano ironizou:

“Eu mando um recado para Brad Pitt, Tom Hanks, para os canastrões hollywoodianos que o Dadá está aqui.”

Quando recebeu o Candango de “melhor som”, mais uma vez, Severino Dadá surpreendeu o público. “O negócio desse som é o seguinte: eu e o Bernardo Gebara pirateamos bastantes sons do [Steven] Spielberg e do George Lucas, e criamos mixagens do som de um e de outro.”

“É isso que eu chamo de 'Fuleragem fiction' ", brincou.

Leia mais notícia sobre a região no G1 DF.

 

 

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