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52º Festival de Cinema de Brasília: longa sobre rock encerra mostra de filmes do DF

Ainda temos a imensidão da noite , de Gustavo Galvão, fechou Mostra Brasília. Filme aborda dificuldades de viver de música na capital do país; veja entrevista com diretor.

 
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"Por que uma cidade com tanto talento e espaços não é a capital cultural do Brasil?", questiona o diretor Gustavo Galvão sobre Brasília – cidade onde nasceu e se fez cineasta.

O terceiro longa-metragem da carreira, "Ainda temos a imensidão da noite", levantou a pergunta nesta sexta-feira (29), quando foi exibido no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.

"É um filme sobre música e, também, sobre Brasília, que tem uma relação muito forte, principalmente com o rock", disse. "Uma cidade que viu uma geração maravilhosa surgir nos anos 1980 e 1990, mas cuja história não se manteve tão gloriosa depois".

"O filme tenta entender por que essa história tão bonita de Brasília com o rock não rendeu tantos frutos mais."

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Cena do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: Pandora Filmes/Divulgação Cena do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: Pandora Filmes/Divulgação

Cena do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: Pandora Filmes/Divulgação

O longa exibido no sétimo dia do festival conta a história de Karen, trompetista e vocalista de uma banda de rock brasiliense que decide sair da capital em busca de uma carreira musical efervescente. A convite de um amigo alemão e apoiada pelo ex-parceiro de banda, a jovem tenta a sorte em Berlim, na Alemanha.

  • Veja programação completa do 52º Festival de Cinema de Brasília

Meses depois, porém, a casualidade obriga Karen a regressar para a cidade onde nasceu – a mesma que seu avô ajudou a construir. De volta a Brasília, ela busca entender o papel que pode assumir no desenvolvimento artístico da capital.

"Eu queria mostrar todo esse percurso dela para conseguir ser ouvida", explicou o diretor. "A personagem mora no Gama, longe do Plano Piloto, e não tem carro. Então a gente também discute essa cidade que isola, que separa".

Gustavo Galvão, diretor do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite" — Foto: TV Globo/Reprodução Gustavo Galvão, diretor do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite" — Foto: TV Globo/Reprodução

Gustavo Galvão, diretor do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite" — Foto: TV Globo/Reprodução

"Ainda temos a imensidão da noite" encerrou a Mostra Brasília com sessão lotada. A exibição atraiu músicos da cidade como Samuel Mota, Litieh, Zé Krishna, Tati Asú e as bandas O Tarot, Almirante Shiva e Joe Silhueta.

Como estes, os atores do filme também fazem parte da cena musical do DF. "O normal seria chamar atores que fingiriam ser músicos. Mas, se a gente está falando de música, era mais fácil chamar uma trompetista e trabalhar para ela atuar no filme."

Além da trompetista Ayla Gresta, que interpreta Karen, entram em cena os músicos Gustavo Halfeld, Vanessa Gusmão e Helio Miranda. Juntos, eles formam a banda Animal Interior, cujas composições foram criadas especialmente para o filme.

Os músicos Ayla Gresta e Gustavo Halfeld, que atuaram no longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: TV Globo/Reprodução Os músicos Ayla Gresta e Gustavo Halfeld, que atuaram no longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: TV Globo/Reprodução

Os músicos Ayla Gresta e Gustavo Halfeld, que atuaram no longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: TV Globo/Reprodução

O filme estreia nacionalmente no dia 5 de dezembro, mas, antes, compete com outros 3 longas-metragens na Mostra Competitiva do Festival de Cinema de Brasília. Ao todo, 12 filmes disputam R$ 150 mil distribuídos pelo Banco de Brasília (BRB) em 13 categorias.

Por que Berlim?

Quando decide ir para Berlim, a personagem Karen não tem dimensão das semelhanças históricas entre a capital alemã e a capital brasileira. No entanto, o diretor e a roteirista desta história, Cristiane Oliveira, sabem bem.

"É um paralelo que a gente criou de propósito, porque as duas cidades têm uma história parecida", disse Gustavo Galvão ao G1. "Berlim foi totalmente destruída na 2ª Guerra Mundial e reconstruída do zero nos anos 1960. Ao mesmo tempo, Brasília também estava sendo construída do zero".

Cena do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: Pandora Filmes/Divulgação Cena do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: Pandora Filmes/Divulgação

Cena do longa-metragem brasiliense "Ainda temos a imensidão da noite", de Gustavo Galvão — Foto: Pandora Filmes/Divulgação

Ele aponta dois pontos de interseção: as "feridas" políticas e o renascimento cultural. "As duas cidades foram machucadas pela história: Berlim pela guerra e pelo muro; e Brasília pela modificação do projeto original pelo governo militar".

"Nos anos 1980, as duas cidades floresceram culturalmente e encontraram sua identidade por meio da música. Mas, enquanto, Berlim continuou a evoluir e se tornou uma meca da cultura mundial, Brasília deixou de ser uma referência até pro rock brasileiro".

"Por que uma cidade com talento, com tantos espaços, não é a capital cultural do Brasil? Não é por falta de talentos, não é por falta de gente que tenta."

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

 

 

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