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52º Festival de Cinema de Brasília exibe 8 filmes do DF em uma noite

Curtas ficcionais, documentais e de animação abordam transexualidade, direito à moradia e preservação da Amazônia. Dois filmes disputam Mostra Competitiva.

 
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Oito filmes do Distrito Federal foram exibidos na noite desta quinta-feira (27) no 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Das produções, seis disputam a Mostra Brasília e duas, a Mostra Competitiva (saiba mais abaixo).

Entre as temáticas abordadas nos filmes estão desmatamento, violência no campo, expropriação rural, refugiados e diferenças culturais, políticas públicas para pessoas trans e direito à moradia. Dois deles ainda fazem homenagens ao ambientalista Chico Mendes e ao fotógrafo Luís Humberto.

Dos filmes brasilienses selecionados, quatro contaram com investimento do Fundo de Apoio à Cultura (FAC). Outros três conseguiram apoio via Ancine e junto à iniciativa privada. O único que não teve qualquer tipo de financiamento foi um trabalho de conclusão de curso na Universidade de Brasília (UnB).

Cine Brasília durante a 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro  — Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Divulgação Cine Brasília durante a 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro  — Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Divulgação

Cine Brasília durante a 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Mayangdi Inzaulgarat/Divulgação

O festival segue até domingo (1º), mas as exibições das mostras competitivas e paralelas terminam nesta sexta (28). A premiação ocorrerá no sábado (29), a partir das 19h, e os curtas e longas vencedores serão exibidos no dia seguinte.

Mostra Brasília

“O véu de Amani”, de Renata Diniz

Cena do curta-metragem "O véu de Amani", da diretora e roteirista Renata Diniz — Foto: Thais Oliveira/Divulgação Cena do curta-metragem "O véu de Amani", da diretora e roteirista Renata Diniz — Foto: Thais Oliveira/Divulgação

Cena do curta-metragem "O véu de Amani", da diretora e roteirista Renata Diniz — Foto: Thais Oliveira/Divulgação

O filme conta a história de Amani, uma menina paquistanesa refugiada no Brasil. Na rua onde mora, ela faz amizade com outra garotinha, de quem ganha um biquíni de presente. Juntas, elas aprendem a lidar com as diferenças culturais e religiosas uma da outra.

“Nesse momento de intolerância que vivemos, a história se desenvolve a partir de um ponto de vista ingênuo”, disse a diretora e roteirista, Renata Diniz, ao G1. “São mais de 70 milhões de refugiados no mundo e nós, brasileiros e brasilienses, somos feitos da mistura de várias culturas.”

O filme contou com o apoio do FAC, que Renata considera “importante tanto culturalmente quanto economicamente, porque a agenda do FAC movimenta muitos empregos diretos e indiretos. E isso vinha dando bastante resultado.”

Como exemplo do apoio do FAC no cinema, ela citou o filme “O mistério da carne”, de Rafaela Camelo, que foi selecionados para os festivais de Sundance, nos Estados Unidos, e Biarritz, na França. “Outros três filmes do DF trouxeram prêmio de Gramado, incluindo ‘O véu de Amani’, que ganhou melhor roteiro.”

“Não ter o FAC Audiovisual 2019 foi uma perda muito grande, a gente vai sentir esses impactos. Espero que isso mude.”

Renata Diniz, diretora do curta-metragem 'O véu de Amani', selecionado para a Mostra Brasília do 52ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1 Renata Diniz, diretora do curta-metragem 'O véu de Amani', selecionado para a Mostra Brasília do 52ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Renata Diniz, diretora do curta-metragem 'O véu de Amani', selecionado para a Mostra Brasília do 52ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Neste ano, a Secretaria de Cultura publicou dois editais: Ocupações, com previsão de R$ 7,7 milhões para projetos em diversas áreas, e Mais Cultura, com R$ 5,5 milhões de verba para agentes culturais de regiões do DF com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

A pasta também abriu uma linha do FAC para realizar o Carnaval de 2020. O edital prevê R$ 5 milhões de investimento, sendo R$ 1,2 milhão para as escolas de samba.

Segundo a Lei Orgânica da Cultura (LOC), que regulamenta o FAC, até 31 de agosto o GDF tem que ter lançado dois “blocos de editais com todo o saldo restante em curso”.

“AmbulaTório”, de Júlia de Lannoy

Júlia de Lannoy, diretora do curta-metragem 'AmbulaTório', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1 Júlia de Lannoy, diretora do curta-metragem 'AmbulaTório', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Júlia de Lannoy, diretora do curta-metragem 'AmbulaTório', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Trabalho de conclusão de curso em Audiovisual pela Universidade de Brasília (UnB), o curta documental de Júlia de Lannoy fala sobre o primeiro e único ambulatório no DF voltado para pessoas transgênero.

“Minha mãe é coordenadora lá, então acompanho a montagem do espaço desde o início, e sentia uma necessidade de falar sobre isso”, disse a diretora. “Eu só conhecia pelo lado dela, e imaginava o que as pessoas que estavam lá passam.”

“Enquanto mulher LGBT era muito importante pra mim falar sobre isso.”

Segundo ela, depois do festival, a ideia é lançar o filme na internet. “Escolhi fazer este filme porque achei que seria relevante de alguma forma. Então, quero torná-lo público, para o máximo de pessoas assistir.”

“Luís Humberto, um olhar possível”, de Mariana Costa e Rafael Lobo

Rafael Lobo, diretor do curta-metragem 'Luís Humberto: um olhar possível', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1 Rafael Lobo, diretor do curta-metragem 'Luís Humberto: um olhar possível', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Rafael Lobo, diretor do curta-metragem 'Luís Humberto: um olhar possível', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Inspiração da diretora Mariana Costa, o fotógrafo Luís Humberto e sua paixão pelo registro da vida virou filme nas mãos dela e o do colega de faculdade Rafael Lobo. Aos 85 anos, ele está com mobilidade reduzida, em cadeira de rodas, mas a paixão pelo ofício segue voando.

“Ele foi um dos pioneiros da cidade, veio trabalhar na gênese da Universidade de Brasília e, por volta dos 30 anos, se apaixonou pela fotografia”, disse o diretor. “Há mais de 50 anos, ele vem fazendo desde fotojornalismo a um trabalho mais poético, em casa.”

O  fotógrafo Luís Humberto Martins Pereira — Foto: Marília Marques/G1 O  fotógrafo Luís Humberto Martins Pereira — Foto: Marília Marques/G1

O fotógrafo Luís Humberto Martins Pereira — Foto: Marília Marques/G1

Algumas revelações de Luís Humberto e momentos íntimos da família aparecem no curta-metragem, gravado na casa do fotógrafo e na Universidade de Brasília. Ele admite, por exemplo, que a arquitetura teve grande influência na sua linguagem visual – fato que ele diz ter negado a maior parte da vida.

O curta contou com apoio do FAC. “Mais do que importante, ele é fundamental pra gente pensar um cinema brasiliense e brasileiro plural, que trate de todos os temas, de todas as linguagens”, disse Rafael Lobo ao G1.

O filme foi exibido em memória de Mariana Costa, que morreu antes do processo de finalização.

“Cláudia e o crocodilo”, de Raquel Piantino

Cena do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo' — Foto: Reprodução Cena do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo' — Foto: Reprodução

Cena do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo' — Foto: Reprodução

A animação de Raquel Piantino fala sobre liberdade e conexão com a natureza. “Meu filme é sobre uma mulher que tem necessidade de uma vida civilizada, mas também tem uma conexão muito própria com a essência dela, com o lado animal, selvagem”, explica a diretora.

“Ela divide a casa com um crocodilo, mas as pessoas do condomínio se incomodam com a presença dele.”

Raquel Piantino, diretora do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1 Raquel Piantino, diretora do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Raquel Piantino, diretora do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo', selecionado para a Mostra Brasília do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Raquel disse que, de certa forma, o crocodilo pode ser interpretado como uma metáfora do quão amedrontante pode parecer a libertação alheia. “Cláudia é muito livre, tem a questão da nudez, de ter uma selva dentro de casa. Então a liberdade dela irrita um pouco a vizinhança, porque ela sai do padrão.”

Cena do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo', de Raquel Piantini — Foto: Luiza Garonce/G1 Cena do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo', de Raquel Piantini — Foto: Luiza Garonce/G1

Cena do curta-metragem 'Cláudia e o crocodilo', de Raquel Piantini — Foto: Luiza Garonce/G1

O filme foi patrocinado pelo FAC, que Raquel considera “fundamental para se fazer um trabalho de qualidade”. “No meu caso, contei com artistas que colaboraram, mas esses artistas vivem disso, esse é o trabalho deles. O fomento foi muito necessário pra se fazer um filme legal e coletivo.”

“A terra em que pisar”, de Fáuston da Silva

Fáuston da Silva, diretor do curta-metragem 'A terra em que pisar', selecionado para a Mostra Brasília do 52ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1 Fáuston da Silva, diretor do curta-metragem 'A terra em que pisar', selecionado para a Mostra Brasília do 52ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Fáuston da Silva, diretor do curta-metragem 'A terra em que pisar', selecionado para a Mostra Brasília do 52ª Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

“O filme é sobre direito à moradia, mas para além disso, é sobre formação política, independência intelectual, mecanismos que dêem liberdade às populações periféricas a assumir as rédeas do seu destino”, explicou o diretor ao G1.

“A terra em que pisar” trata destas questões pelo olhar de uma comunidade que habita terras do governo de forma irregular. Considerados invasores pelo poder público e por parte da população, eles reivindicam o direito à moradia, ao pertencimento e à liberdade como fundamentais.

O filme, que contou com apoio de R$ 120 mil do FAC, tem no elenco a participação do ator Andrade Júnior, que morreu em maio deste ano após uma parada cardíaca.

“#SOMOSAMAZÔNIA”, de João Inácio

Cena do curta-metragem '#SOMOSAMAZÔNIA' — Foto: Reprodução Cena do curta-metragem '#SOMOSAMAZÔNIA' — Foto: Reprodução

Cena do curta-metragem '#SOMOSAMAZÔNIA' — Foto: Reprodução

O curta de João Inácio nasceu como um projeto de conscientização local, financiado pelo World Wide Fund for Nature (WWF) no Brasil, mas foi entendido pela comissão curadora do Festival de Brasília como um tema de importância para a capital federal.

“Basicamente, narro um pouco da história de personagens da Amazônia acreana: os dilemas, os conflitos por posse de terra, demarcações”, disse ao G1.

“Procurei abordar a preservação ao meio ambiente, mas sobretudo mostrar que há seres humanos lá. As duas coisas estão interligadas.”

Mostra Competitiva (nacional)

“O tempo que resta”, de Thais Borges

Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução

Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução

“É um filme sobre mortes anunciadas no campo, principalmente na floresta”, resumiu a diretora. O longa-metragem brasiliense documenta a vida de lideranças que lutam pela preservação ambiental e pelo direito à terra.

“A primeira vez em que me deparei com a questão estava fazendo uma reportagem com o número de pessoas assassinadas no campo que a Comissão Pastoral da Terra (CPT) emite todo ano. E é um número né? Não são pessoas, não têm rosto.”

Em viagens profissionais à Amazônia, Raquel conheceu Maria Ivete Bastos, sindicalista ameaçada por fazendeiros da região. Ivete luta contra o processo de expropriação das famílias e “bateu muito de frente com esses grileiros”.

Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução

Cena do longa-metragem 'O tempo que resta', de Thais Borges — Foto: Reprodução

Anos depois, Raquel conheceu Osvalinda Marcelino, que também estava sob ameaça. A terra onde ela vivia fica no oeste do Pará, por onde passa a principal via de escoamento da madeira ilegalmente extraída no estado.

“Ela tinha uma agrofloresta no terreno e, por isso, havia um fluxo de caminhões de ONGs que eram confundidos com o Ibama. Os madeireiros achavam que ela denunciava o esquema e começaram a ameaçá-la”, contou a diretora.

“A Osvalinda enfrenta a degradação da terra, provocada pela extração madeireira. E a Ivete enfrenta o desmatamento, resultado da monocultura. E as duas combatem a expulsão dos povos da floresta.”

Thais Borges, diretora do longa-metragem 'O tempo que resta', selecionado para a mostra competitiva do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1 Thais Borges, diretora do longa-metragem 'O tempo que resta', selecionado para a mostra competitiva do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

Thais Borges, diretora do longa-metragem 'O tempo que resta', selecionado para a mostra competitiva do 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

O filme foi financiado, em parte, com recursos próprios, e, majoritariamente, com verba da Ancine e da iniciativa privada. “Conheci produtoras da GloboNews em um mercado de conteúdo e elas toparam executar o projeto. Por meio da Lei do Audiovisual também consegui mais R$ 150 mil.”

Raquel disse que, além de rodar com o longa-metragem por outros festivais, o filme deve entrar na programação da GloboNews, somente para assinantes.

“Chico Mendes, um legado a defender”, de João Inácio

Cena do curta-metragem 'Chico Mendes', um legado a defender, de João Inácio — Foto: Reprodução Cena do curta-metragem 'Chico Mendes', um legado a defender, de João Inácio — Foto: Reprodução

Cena do curta-metragem 'Chico Mendes', um legado a defender, de João Inácio — Foto: Reprodução

O segundo curta de João Inácio exibido no Festival de Brasília segue a mesma linha do primeiro, “#SOMOSAMAZÔNIA”. Ele começou a gravar quando houve, em Brasília, um encontro de pessoas que conviveram com Chico Mendes para incentivar os mais jovens a seguirem o legado do ambientalista.

“A ideia inicial não era ser um filme para festival, mas um registro daquele evento, para ser exibido no Acre, porque os jovens não querem mais viver no campo. E, na Amazônia, a presença do homem é uma barreira à destruição”, disse o diretor.

“Mas percebi que a história servia, também, para os jovens daqui, que precisam ter essa consciência ambiental com o cerrado.”

João Inácio, diretor dos curtas-metragem '#SOMOSAMAZÔNIA' e 'Chico Mendes: um legado a defender', selecionados para o 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1 João Inácio, diretor dos curtas-metragem '#SOMOSAMAZÔNIA' e 'Chico Mendes: um legado a defender', selecionados para o 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

João Inácio, diretor dos curtas-metragem '#SOMOSAMAZÔNIA' e 'Chico Mendes: um legado a defender', selecionados para o 52º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — Foto: Luiza Garonce/G1

O filme foi idealizado pelo Conselho Nacional dos Seringueiros e financiado, principalmente, pela WWF Brasil. Esta é a primeira vez que João Inácio emplaca filmes no Festival de Brasília. "Meus filmes têm passado no mundo inteiro, mas nunca tinha conseguido entrar aqui. Agora, consegui dois de uma vez.”

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

 

 

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