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'''Tinha que ser menina''': De assédio a bullying, o que as mulheres ainda enfrentam em jogos online

Durante BGS 2019, G1 conversou com jogadora. Quase dois anos após campanha de ONG pelo respeito às mulheres, elas dizem que xingamentos diminuíram.

 
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Em janeiro de 2018, uma ONG popularizou nas redes sociais uma campanha para que as mulheres pudessem escolher o nickname que quisessem em jogos online - e não precisassem esconder sua identidade.

Durante a Campus Party daquele ano, o G1 mostrou as duas situações a que mulheres estão expostas dentro das comunidades:

  • A desqualificação da habilidade e do próprio direito de jogar, com espaço para xingamentos e recados como "seu lugar é na cozinha";
  • O tratamento meloso, em tom de paquera, como se toda mulher estivesse em um game online para arranjar um parceiro e não para simplesmente jogar.

Um ano depois, o G1 conversou sobre o assunto com jogadoras na Brasil Game Show 2019, evento de games que aconteceu em São Paulo até domingo (13). As mulheres são maioria entre gamers no Brasil: 53% do número de jogadores segundo a pesquisa Game Brasil de 2019, de julho.

"Menina, melhorou muito. Há dois anos, os insultos eram diários. Neste ano, eu acho que aconteceram umas quatro vezes", diz Damaris de Lima Duarte, jogadora de "League of Legends" e “Counter Strike”, na BGS 2019. Ela ri de tristeza por comemorar pequenos avanços.

  • BGS 2019: Veja fotos

As meninas da BGS contam que o assédio e o bullying diminuíram, mas persistem nos cantinhos escondidos de chats coletivos. É lá, escondidos atrás de nicknames e personagens, que meninos e homens aproveitam para fazer comentários machistas.

Jogadoras na BGS 2019 contam casos de assédio e bullying em games online — Foto: Thaís Matos/G1 Jogadoras na BGS 2019 contam casos de assédio e bullying em games online — Foto: Thaís Matos/G1

Jogadoras na BGS 2019 contam casos de assédio e bullying em games online — Foto: Thaís Matos/G1

"Tem sempre o famoso 'tinha que ser mulher' quando você erra uma jogada", diz a estudante Jhenice Lima, de 20 anos. "Mas se eu jogo bem, eles ignoram."

"A gente nunca recebe honra [sistema de reconhecimento no jogo]. Já aconteceu do meu time ganhar, todos os jogadores ganharem honra e eu ser a única jogadora a ficar de fora", conta a vendedora Andressa Silva, de 20 anos.

Jhenice e Andressa jogam “LOL” e narraram outras situações desconfortáveis: já foram impedidas de escolher personagens masculinos para jogar em grupo; tiveram suas posições trocadas diversas vezes por outros jogadores e receberam ofertas de presentes e recompensas no jogo se aceitassem pedidos de namoro.

Damaris atesta que a situação avança a passos curtos. "Melhorou demais nesses últimos dois anos. Mas estou em um nível superior agora, então tem mais respeito dentro do jogo. Mas ainda sou xingada", conta. A amiga Jhenifer Moraes, de 18 anos, também diz que suas personagens são mais machucadas que os masculinos.

O que elas mais ouvem

  • “Tinha que ser menina”
  • “Seu computador fica em cima do fogão?”
  • “Por que você não vai lavar uma louça?”
  • “Você feedou o outro time” (feedar = morrer muito e dar pontos para o adversário)
  • “O time perdeu por sua causa”
  • “Quer namorar comigo?”
  • “Se for minha namorada te deixo ganhar”

Aparência x conteúdo

Público explora a BGS 2019 — Foto: Celso Tavares/G1 Público explora a BGS 2019 — Foto: Celso Tavares/G1

Público explora a BGS 2019 — Foto: Celso Tavares/G1

Além de jogar, Júlia de Núbila, de 24 anos, também tem um canal feito para meninas gamers. As críticas que mais recebe não são em relação ao conteúdo, mas à aparência.

"Às vezes é assédio e às vezes, perseguição. Eles dizem que faço isso porque quero atenção, espalham coisas sobre mim entre os produtores de conteúdo. É uma rede de ódio."

“Eles falam coisas extremamente obscenas, que eu não tenho coragem de reproduzir. Eu denuncio, mas muitos criam outras contas e voltam”, desabafa, Juliana Ferreira, de 20 anos.

O casal Gabriela Lata e Rafael Hasegawa Kioji passaram por experiências inversas. Ela só joga com nicknames neutros. “Não lembro de ter acontecido nada parecido comigo”, disse.

Já o namorado sentiu um pouco do que as mulheres passam quase sempre. Eu jogo sempre com personagens femininas, como a Morgana [ de 'LOL'], e uma vez, quando errei uma jogada, recebi uma mensagem que dizia ‘volte para o quarto para fazer bebês e saia do jogo'."

 

 

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