Mundo

Mundo

Fechar
PUBLICIDADE

Mundo

EUA impõem sanções contra a Turquia após ataques a curdos na Síria

Donald Trump repetiu a promessa de destruir a economia turca após secretário do Tesouro anunciar que a Casa Branca estava pronta para aplicar sanções. Ofensiva contra militantes curdos continuou nesta segunda-feira

 
 -   /
/ /

Os Estados Unidos anunciaram sanções nesta segunda-feira (14) contra integrantes do governo da Turquia após os recentes ataques de militares turcos a bases curdas no nordeste na Síria. Há uma semana, o presidente Donald Trump retirou tropas norte-americanas da região que lutavam ao lado dos curdos contra o Estado Islâmico, o que abriu caminho para uma ofensiva turca (leia mais sobre o assunto no fim da reportagem).

Em um primeiro momento, as sanções afetam dois ministros e três funcionários do alto escalão do governo de Recep Tayyip Erdogan na Turquia. Além disso, quem mantiver relações econômicas com essas pessoas podem ser sofrer punições do Tesouro norte-americano.

  • ANÁLISE: Trump fortalece inimigos ao sair da Síria

Entre outras ações, a medida aumenta as tarifas para o aço em 50%. Além disso, de acordo com a imprensa norte-americana, Trump coloca fim a uma negociação com o governo turco no valor estimado de US$ 100 bilhões – equivalentes a R$ 412 bi.

"Os EUA responsabilizam o governo da Turquia pela escalada da violência praticada por forças curdas, colocando em perigo civis inocentes e desestabilizando a região", afirmou em comunicado o secretário de Tesouro, Steven Mnuchin.

As sanções, porém, não foram suficientes para que Trump agradasse aliados contrários às retiradas das tropas norte-americanas, como o deputado Mike McCaul. "Apreciamos as sanções planejadas pelo governo, mas elas não vão longe ao bastante para punir a Turquia por suas violações horríveis na Síria", disse.

Trump repete ameaça: 'destruir economia turca'

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante baile de gala do Family Research Council, em Washington, no sábado (12) — Foto: Reuters/Yuri Gripas O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante baile de gala do Family Research Council, em Washington, no sábado (12) — Foto: Reuters/Yuri Gripas

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante baile de gala do Family Research Council, em Washington, no sábado (12) — Foto: Reuters/Yuri Gripas

Trump repetiu, em comunicado, que pode "destruir a economia da Turquia" caso o governo de Recep Tayyip Erdogan não interrompa as ações no nordeste da Síria.

"Estou totalmente preparado para rapidamente destruir a economia da Turquia se líderes turcos continuaram com esse caminho perigoso e destrutivo", ameaçou Trump, em comunicado

Além disso, o secretário de Defesa dos EUA, Mark Esper, anunciou nesta segunda que vai pressionar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para tomar medidas "econômicas e diplomáticas" contra o governo turco. A Turquia faz parte da aliança militar.

De acordo com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, Trump conversou com Erdogan para exigir uma retirada rápida da ofensiva contra os curdos no norte da Síria. Pence deve viajar ao Oriente Médio nas próximas horas.

Ação turca na Síria

Um militar rebelde da Síria, de um grupo apoiado pela Turquia, acena na cidade Tel Abyad, na fronteira entre os dois países, em 14 de outubro de 2019 — Foto: Khalil Ashawi/Reuters Um militar rebelde da Síria, de um grupo apoiado pela Turquia, acena na cidade Tel Abyad, na fronteira entre os dois países, em 14 de outubro de 2019 — Foto: Khalil Ashawi/Reuters

Um militar rebelde da Síria, de um grupo apoiado pela Turquia, acena na cidade Tel Abyad, na fronteira entre os dois países, em 14 de outubro de 2019 — Foto: Khalil Ashawi/Reuters

Dezenas de pessoas, inclusive civis, morreram desde o início da ofensiva da Turquia contra posições curdas no norte da Síria. Além disso, estima-se que 130 mil pessoas tiveram de deixar suas casas, segundo a agência Associated Press (saiba mais: quem são os curdos e por que estão na mira da Turquia).

A Turquia iniciou os ataques por considerar militantes curdos aliados de terroristas separatistas que agem no país. Os curdos na Síria, porém, eram apoiados pelos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico. Com o anúncio da retirada dos militares norte-americanos na região, abriu-se caminho para uma ofensiva turca contra os curdos.

  • Sem apoio dos EUA, curdos querem aliança com a Síria para combater Turquia

Opositores e mesmo aliados de Trump o criticaram por permitir que a Turquia atacasse o norte da Síria após a retirada dos militares norte-americanos. O presidente, então, tentou se esquivar das acusações no comunicado publicado nesta segunda. "A ofensiva militar da Turquia coloca civis em perigo e ameaça a paz, segurança e estabilidade na região."

"Fui muito claro com o presidente Erdogan: a ação turca está criando uma crise humanitária e gerando condições para possíveis crimes de guerras", afirmou.

O que acontece na região

Fumaça é vista na cidade síria de Ras al-Ain, na fronteira com a Turquia, neste domingo (13)  — Foto: Ozan Kose / AFP Fumaça é vista na cidade síria de Ras al-Ain, na fronteira com a Turquia, neste domingo (13)  — Foto: Ozan Kose / AFP

Fumaça é vista na cidade síria de Ras al-Ain, na fronteira com a Turquia, neste domingo (13) — Foto: Ozan Kose / AFP

  • no dia 7, o presidente dos EUA, Donald Trump, mandou as tropas americanas saírem do norte da Síria, onde está a fronteira com a Turquia;
  • essa é uma das áreas onde vivem os curdos, um povo de cerca de 35 milhões de pessoas que não tem um Estado e se espalha por partes da Síria, do Irã, do Iraque e da Turquia;
  • os curdos querem autonomia, mas enfrentam a resistência dos governos da região;
  • nos últimos 6 anos, milícias formadas por curdos na Síria foram as principais aliadas dos EUA para derrotar os terroristas do Estado Islâmico;
  • por outro lado, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, acusa as forças curdas do norte da Síria de terrorismo. Segundo ele, esses grupos estariam por trás de ataques ocorridos na Turquia;
  • a saída das tropas americanas abriu caminho para Erdogan atacar os curdos, e a ofensiva começou na última quarta (9);
  • o presidente turco alega que quer controlar militarmente aquela região e mandar para lá os milhares de sírios que fugiram para a Turquia por causa da guerra civil em seu país;
  • sem a proteção militar dos EUA, cerca de 2 milhões de curdos na Síria ficaram expostos;
  • dezenas de civis já morreram, e a ONU diz que mais de 130 mil pessoas fugiram de casa desde que os ataques começaram;
  • a traição de Trump aos curdos foi criticada até mesmo por aliados nos EUA, que temem que a instabilidade provocada por um novo confronto na Síria fortaleça o Estado Islâmico;
  • outro risco apontado por esses críticos é a possível aproximação dos curdos com os governos da Síria e da Rússia, adversários dos americanos.

 

 

PUBLICIDADE

Curiosidades

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE