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Comunitários e visitantes se integram na procissão de busca dos mastros do Sairé em Alter do Chão

Tradição se mantém vila na vila. Pequenas embarcações enfeitadas de fitas dão o colorido da procissão.

 
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A tradição se mantém há mais de 300 anos. Setembro é mês de Sairé, na Vila de Alter do Chão, distante 37 km de Santarém, oeste do Pará. E a procissão de busca dos mastros, que integra a parte religiosa da festa resiste ao tempo e se mostra mais viva do que nunca, reunindo não só os personagens, como moradores da vila, autoridades e visitantes.

A programação começou quando o sol ainda estava raiando, e um café da manhã comunitário, que representa a fartura e a partilha, símbolos do Sairé, foi servido a todos que se juntaram para sair nas pequenas embarcações coloridas rumo à Ilha Santa Luzia, para buscar os mastros do Juiz e da Juíza da festa.

Café comunitário reuniu moradores e visitantes antes da procissão de busca dos mastros — Foto: Geovane Brito/G1 Café comunitário reuniu moradores e visitantes antes da procissão de busca dos mastros — Foto: Geovane Brito/G1

Café comunitário reuniu moradores e visitantes antes da procissão de busca dos mastros — Foto: Geovane Brito/G1

"É a primeira procissão fluvial onde nós vamos buscar os mastros do juiz e da juíza. É um momento de união, isso é Sairé, com as bênçãos através do Espírito Santo. Com esse ritual, nós guardamos a memória de todos os nossos antepassados. Meus avós, meus bisavós participavam, e hoje quando nós fazemos a procissão e todas as celebrações da festa, nós trazemos eles juntos em espírito, em memória. Então, não tem como a gente não se emocionar”, disse o juiz da festa, Osmar Vieira.

A procissão de busca dos mastros reúne personagens importantes da festa: saraipora, juiz e juíza, mordomos, foliões, alferes, troneira e o capitão.

Saraipora Dalva de Jesus a caminho da procissão para busca dos mastros — Foto: Geovane Brito/G1 Saraipora Dalva de Jesus a caminho da procissão para busca dos mastros — Foto: Geovane Brito/G1

Saraipora Dalva de Jesus a caminho da procissão para busca dos mastros — Foto: Geovane Brito/G1

Para a saraipora Dalva de Jesus, a busca dos mastros é um momento de devoção com a santíssima Trindade. Não é só festejar, mas, agradecer pelas bênçãos alcançadas e pedir forças e saúde para que a tradição continue viva nas gerações futuras.

"Já estou há cinco anos na função de saraipora, e pra nós essa vivência só vem fortalecer a nossa fé e a nossa devoção na Santíssima Trindade, que é Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Isso vem da raiz dos nossos antepassados e vai passando de geração para geração, então, é uma emoção muito grande fazer parte do Sairé", disse Dalva.

Integração

Do meio da mata, mulheres surgem com o mastro da Juíza do Sairé — Foto: Amarildo Gonçalves/TV Tapajós Do meio da mata, mulheres surgem com o mastro da Juíza do Sairé — Foto: Amarildo Gonçalves/TV Tapajós

Do meio da mata, mulheres surgem com o mastro da Juíza do Sairé — Foto: Amarildo Gonçalves/TV Tapajós

Os troncos das árvores foram retirados da mata, e no local foi feito o replantio de 50 mudas de árvores nativas. No retorno da procissão, os mastros serão deixados na areia da praia do Cajueiro, distante quase 1 km da Praça do Sairé. Lá, eles permanecerão até a quinta-feira (19), quando uma nova procissão será realizada, desta vez, marcando a abertura oficial da festa.

A cada ano, mais visitantes se juntam aos moradores da vila de Alter do Chão, para participar e registrar com fotos e vídeos esse momento de celebração e partilha. Há casos também de estrangeiros que vieram conhecer a festa, se encantaram tanto que acabaram fixando residência na vila e se integrando à tradição. É o caso do turista Maurício Counihan, da Irlanda.

"Não é a primeira vez que participo. Eu moro há alguns em Alter do Chão e gosta muito de participar de toda essa alegria que é o Sairé. Para mim é importante a fusão de várias coisas, como a religião e o festival dos botos. Tudo isso é tradição amazônica, é bonito de ver", contou Maurício Counihan.

O prefeito Nélio Aguiar participou da procissão e disse que esse é um momento de resgate da história, da cultura e da religiosidade do povo de Alter do Chão.

"O Sairé não é somente a festa profana, a apresentação dos botos, que na verdade tem apenas 20 anos, enquanto o rito religioso tem mais de 300 anos, e ele é que inicia a festa de fato. A festa vem crescendo e a cada ano mais visitantes vêm participando. A gente chama a atenção dos turistas justamente para a tradição que é mantida por todos os personagens do ritual religioso, a comunidade se envolve e os visitantes se encantam", pontuou Nélio Aguiar.

 

 

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