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Crianças da comunidade São Remo desvendam a biologia com alunos da USP

Em disciplina sobre biologia e sociedade, participantes investigaram a biodiversidade do próprio bairro, que é vizinho à USP

 
Universitários da USP mostram como é uma agrofloresta – Foto: Projeto Alavanca Brasil
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Eles ainda estão na faculdade, mas já estão aprendendo a ensinar. O desafio: ultrapassar a sala de aula e levar conhecimentos para além da universidade. É o que uma disciplina do Instituto de Biociências (IB) da USP, em São Paulo, tem trabalhado discutindo a relação entre biologia e sociedade.

Durante todo o primeiro semestre, os universitários foram ao Jardim São Remo, comunidade vizinha à Cidade Universitária, na capital paulista, para falar sobre ciências e criar projetos de biologia com as crianças. Os temas eram variados, mas todos conectados à biodiversidade da região. O trabalho contou com a parceria do Projeto Alavanca e do Projeto Catumbi.

O Riacho Doce, que passa pela São Remo, foi o tema desenvolvido por um dos projetos. “Eles traçaram o trajeto do riacho desde a nascente, que é aqui dentro da USP, até ele se integrar a outros rios e desembocar na Argentina”, conta a professora Alessandra Bizerra, responsável pela disciplina no IB. Outros temas abordados foram a criação de uma horta comunitária e os insetos.

“Queremos criar nas crianças essa mentalidade de olhar para quem está com você, os elementos que te circundam e suas relações com eles”, conta Alessandra.

As crianças conheceram os laboratórios da USP e tiveram, pela primeira vez, a experiência de fazer pesquisa. “Elas puderam ver no microscópio as amostras que recolheram e puderam enxergar os microrganismos, saber que eles realmente existem”, disse a professora.

O encerramento da disciplina foi marcado por um evento que reuniu os estudantes, as crianças da São Remo e vários grafiteiros, tanto da comunidade quanto de outras partes da cidade, para a pintura de um grande mural. O local escolhido foi o muro entre a comunidade e a USP. “Com isso conseguimos mostrar que aconteceu algo lá, não foram só alguns encontros”, diz Fúvia Lustosa, ex-aluna do IB e monitora da disciplina.

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Crianças visitam um dos laboratórios do Instituto de Biociências da USP, em São Paulo – Foto: Projeto Alavanca Brasil
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Fúvia, que é também moradora da São Remo, conta que os projetos mudaram sua visão sobre educação. “É algo novo que me ajudou a voltar minha visão para a São Remo, estar inserida lá. A vida acadêmica nos afasta um pouco, e essa vivência fez eu me apaixonar pela educação popular.”  

Os organizadores do projeto não pretendem parar com o trabalho. Segundo Alessandra, a disciplina gerou frutos significativos para a Universidade. “Mostramos que a interação entre USP e São Remo também pode ser fonte de pesquisa”, conta.

O futuro da disciplina, nos planos da equipe, é integrar outras unidades da USP, entre elas a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) e o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), e criar um projeto multidisciplinar de ensino. “Queremos que mais institutos passem a pensar além dos muros”, finaliza a professora do IB.

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