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Morte de Raul Seixas completa 30 anos; veja lugares em São Paulo onde o '''Maluco Beleza''' viveu

Após problemas com alcoolismo e outras doenças, pai do rock brasileiro morreu sozinho em seu apartamento em SP em 21 de agosto de 1989. Prédio se tornou ponto turístico para fãs.

 
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O cantor e compositor Raul Seixas morreu há exatos 30 anos, sozinho, dentro do apartamento onde morava em São Paulo. Mas jamais caiu no esquecimento. Desde então, a frente do Edifício Aliança, na Rua Frei Caneca, região central da cidade, se tornou um ponto turístico que atrai fãs do músico, considerado o 'pai do rock nacional' (veja vídeo acima e mapa abaixo com outros lugares onde ele morou na capital).

Leia também: - Raul mantém 'idolatria' após morte: 'fenômeno raríssimo', diz pesquisador
- Mauro Ferreira: além da obra original, cantor deixou ideologia

O corpo do baiano Raul Santos Seixas foi encontrado pela empregada dele, na manhã do dia 21 de agosto de 1989, dentro do quarto, no décimo andar do prédio que ele alugava.

Raul tinha 44 anos de idade. Estava deitado sobre a cama. Usava um pijama listrado. Segundo os médicos, foi vítima de parada cardíaca decorrente de doenças como pancreatite aguda, alcoolismo e diabetes.

O músico havia deixado de tomar insulina na noite anterior, quando chegou bêbado na porta do prédio. Teve de ser carregado pelo porteiro até o apartamento 1003.

Veja abaixo vídeo da reportagem Fã e amigo de Raul Seixas guarda 5 mil objetos pessoais do 'pai do rock brasileiro' em SP:

Fã e amigo de Raul Seixas guarda 5 mil objetos pessoais do 'pai do rock brasileiro' em SP

Fã e amigo de Raul Seixas guarda 5 mil objetos pessoais do 'pai do rock brasileiro' em SP

Três décadas após a morte do artista, o porteiro e o edifício estão no roteiro de visitação dos 'raulseixistas', como se autodefinem àqueles que idolatram Raul. Muitos vão até o Aliança exibindo tatuagens do ídolo ou usando roupas, coturnos, boinas, coletes e óculos escuros alusivos ao cantor.

O funcionário do prédio, que viu Raul vivo pela última vez, continua trabalhando no mesmo local, na portaria do condomínio. Procurado recentemente pelo G1, ele não quis falar sobre o convívio que teve com o cantor.

A reportagem não localizou quem mora atualmente no imóvel onde Raul residiu e foi achado morto.

Em outras palavras, para tirar fotos com o porteiro ou entrar no apartamento onde o artista morou só mesmo com autorização.

Sylvio Passos em frente ao Edifício Aliança, em São Paulo, onde Raul Seixas foi encontrado morto em 21 de agosto de 1989. Fã se tornou amigo do pai do rock nacional — Foto: Celso Tavares/G1 Sylvio Passos em frente ao Edifício Aliança, em São Paulo, onde Raul Seixas foi encontrado morto em 21 de agosto de 1989. Fã se tornou amigo do pai do rock nacional — Foto: Celso Tavares/G1

Sylvio Passos em frente ao Edifício Aliança, em São Paulo, onde Raul Seixas foi encontrado morto em 21 de agosto de 1989. Fã se tornou amigo do pai do rock nacional — Foto: Celso Tavares/G1

'Maluco beleza'

Sorte do 'maluco beleza' Leonardo Mirio, de 42 anos, que visitou o apartamento que era de Raul quando ele ainda estava vazio à espera de um inquilino. Além de fotografar a residência, o segurança ainda conseguiu tirar foto ao lado do 'famoso' porteiro.

“Eu já entrei dentro do apartamento do Raul, levei uma galera comigo. Todo mundo quer tirar foto porque ali foi a última morada do nosso mestre”, enaltece Leonardo, também autor de uma trilogia sobre o cantor: 'Raul Nosso De Cada Dia'; 'Raul Seixas E O Eco De Suas Palavras'; e 'Raul Seixas – Jamais Me Revelarei'.

“O Edifício Aliança virou um ponto de peregrinação. As pessoas vão lá tirar foto na frente do edifício. Como se fosse realmente um marco porque Raul morreu naquele lugar. E aquilo ficou famoso por conta disso”, conta Tiago Bittencourt, jornalista e escritor do livro 'O Raul Que Me Contaram'.

Veja vídeo do Bom Dia SP sobre os 30 anos sem Raul:

Morte de Rauls Seixas faz 30 anos e a cidade de SP ainda tem marcas de sua história

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Fã e amigo de Raul

O prédio, porém, é evitado pelo fã número 1 do astro. Para o produtor musical e compositor Sylvio Passos, 56 anos, presidente do Raul Rock Club, o local ainda lhe desperta "emoções boas e tristes".

“Confesso que fiquei um bom tempo sem querer passar por aqui depois da morte dele”, diz Sylvio, que na semana passada esteve na frente do edifício à convite do G1. “Aqui tem uma coisa muito forte. Prefiro não entrar no prédio”.

Sylvio tinha 17 anos quando conheceu Raul. Foi atrás dele em São Paulo pedindo autorização para criar o primeiro fã-clube do cantor. Teve o aval do músico e desde então se tornaram amigos. A amizade entre Raulzito e Sylvícola, como ambos se chamavam, rendeu muitas histórias.

Leandro Mirio e amigos, todos fãs de Raul, em frente ao Edifício Aliança, onde astro foi encontrado morto em 1989 — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Leandro Mirio e amigos, todos fãs de Raul, em frente ao Edifício Aliança, onde astro foi encontrado morto em 1989 — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Leandro Mirio e amigos, todos fãs de Raul, em frente ao Edifício Aliança, onde astro foi encontrado morto em 1989 — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Raul Seixas morou ao menos seis endereços em São Paulo, entre os anos de 1981 a 1989:

  • Rua Rubi, Brooklin, Zona Sul;
  • Alameda Franca, Jardins, Centro;
  • Rua Itacema, Itaim Bibi, Zona Sul;
  • Rua Pombeva, Butantã, Zona Oeste;
  • Rua Coronel Palimércio de Rezende, Butantã, Zona Oeste;
  • Rua Frei Caneca, Centro.

Mapa mostra os locais onde o cantor morou na capital paulista — Foto: G1 Arte Mapa mostra os locais onde o cantor morou na capital paulista — Foto: G1 Arte

Mapa mostra os locais onde o cantor morou na capital paulista — Foto: G1 Arte

Rua Matias Aires com a Rua Frei Caneca: Raul frequentava o bar dessa esquina, segundo o amigo Sylvio Passos — Foto: Celso Tavares/G1 Rua Matias Aires com a Rua Frei Caneca: Raul frequentava o bar dessa esquina, segundo o amigo Sylvio Passos — Foto: Celso Tavares/G1

Rua Matias Aires com a Rua Frei Caneca: Raul frequentava o bar dessa esquina, segundo o amigo Sylvio Passos — Foto: Celso Tavares/G1

Prisão de Raul em Caieiras

“Ele só teve de sair de São Paulo em [19]82 porque houve um problema lá em Caieiras [cidade da Grande São Paulo], onde foi confundido com um sósia dele mesmo. Foi ameaçado de morte e teve que sair de São Paulo correndo. Voltou para o Rio de Janeiro”, lembra Sylvio, que ficou tomando conta dos pertences do já amigo Raul nesse período.

“Quando começou o show eu vi aquele burburinho, o povo começou a ficar agitado. E começaram a jogar garrafas, jogar latas de cerveja. Eu acho que foi um boato que houve que não era eu que estava cantando”, explica Raul, numa entrevista ao Jornal Hoje, da TV Globo, exibida no dia 18 de maio de 1982.

Segundo Sylvio, à época o público achou que Raul era mesmo um sósia porque o artista estava embriagado. “Tomou umas quatro ou 18 doses antes de subir no palco, então subiu meio 'bebão'”.

Devido à confusão, o músico foi parar na delegacia de Caieiras, onde alegou ter sido agredido pelos policiais.

Raul Seixas e Sylvio Passos em foto tirada em São Paulo — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club) Raul Seixas e Sylvio Passos em foto tirada em São Paulo — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club)

Raul Seixas e Sylvio Passos em foto tirada em São Paulo — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club)

'Mulheres, dinheiro e álcool'

“Cara, o Raul gostava de boteco. Mas gostava de um bom restaurante. Vinha muito aqui na Famiglia Mancini”, lembra Sylvio. “Casas do norte, ali em Pinheiros. No Largo da Batata, Mocofava. Ali em Pinheiros também. Ele frequentava muito lá... Rua Augusta”.

Raul gostava de frequentar o restaurante da Famiglia Mancini, localizado na Rua Anhavandava, na Bela Vista, região central de São Paulo — Foto: Bárbara Muniz/G1 Raul gostava de frequentar o restaurante da Famiglia Mancini, localizado na Rua Anhavandava, na Bela Vista, região central de São Paulo — Foto: Bárbara Muniz/G1

Raul gostava de frequentar o restaurante da Famiglia Mancini, localizado na Rua Anhavandava, na Bela Vista, região central de São Paulo — Foto: Bárbara Muniz/G1

“Mulheres, dinheiro e o álcool. São três problemas na verdade. Saber lidar com as mulheres. Saber lidar com o dinheiro. E saber lidar com o álcool”, acredita Sylvio. Raul foi casado cinco vezes, tendo três filhas com três das esposas.

“Eu frequentei sessões dos alcoólicos anônimos no fundinho de uma igreja no Butantã com o Raul”, relembra Sylvio. “Ele lutou o tempo todo contra esse vício. Essa doença. Não é vício. É doença. Alcoolismo é doença. Tem que ficar muito claro isso”.

Dessa luta contra o uso abusivo do álcool, Raul compôs em 1987 a música 'Canceriano Sem Lar/Clínica Tobias Blues'. O local ainda existe. Fica no Alto da Boa Vista, Zona Sul de São Paulo.

Veja abaixo trechos da canção:

“Estou deitado em minha vida
E o soro que me induz a lutar
Estou na Clínica Tobias
Tão longe do aconchego do lar”

“All right, man
Play the blues
Clínica Tobias Blues”

Sylvio (sentado) conheceu Raul (em pé) quando tinha 17 anos de idade. Essa foto foi tirada numa casa residências do cantor em São Paulo — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club) Sylvio (sentado) conheceu Raul (em pé) quando tinha 17 anos de idade. Essa foto foi tirada numa casa residências do cantor em São Paulo — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club)

Sylvio (sentado) conheceu Raul (em pé) quando tinha 17 anos de idade. Essa foto foi tirada numa casa residências do cantor em São Paulo — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club)

Cantor assistiu Elvis antes de morrer

Ainda na frente do Edifício Aliança, Sylvio olha para o alto e conta que visitou Raul dias antes dele morrer no apartamento.

“Vim fazer uma visita para o Raul. Estava com a TV ligada assistindo Elvis Presley. Sentamos ali. Ficamos os dois assistindo Elvis. Sem uma palavra. Não falamos nada. Levantei e falei: ‘Raul, eu tenho que ir embora’", lembra Sylvio. "Raul fala pela fresta da porta: 'Sylvícola, essa foi a melhor conversa que nós tivemos em toda vida'. Essas foram as últimas palavras que eu ouvi de Raul.”

Sylvio ao lado de Raul na última foto que tirada com o cantor antes de sua morte — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club) Sylvio ao lado de Raul na última foto que tirada com o cantor antes de sua morte — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club)

Sylvio ao lado de Raul na última foto que tirada com o cantor antes de sua morte — Foto: Divulgação/Acervo pessoal Sylvio Passos (Raul Rock Club)

“Depois eu só encontrei ele no Anhembi, dentro do caixão”, conta Sylvio sobre o velório de Raul no pavilhão do espaço, na Zona Norte da capital. Posteriormente o corpo seguiu para Salvador, onde o artista foi sepultado. “Por onde ele passava ele era reverenciado”

“O Raul morreu por uma overdose de tristeza, doenças acumuladas, por conta, principalmente do alcoolismo e de uma depressão, que ele tinha por conta de questões profissionais e pessoais”, se recorda Sylvio ao dar sua versão para a morte do amigo.

Fãs se despedem de Raul no velório do cantor no Anhembi, em São Paulo, em 1989 — Foto: Reprodução/Arquivo/Acervo TV Globo Fãs se despedem de Raul no velório do cantor no Anhembi, em São Paulo, em 1989 — Foto: Reprodução/Arquivo/Acervo TV Globo

Fãs se despedem de Raul no velório do cantor no Anhembi, em São Paulo, em 1989 — Foto: Reprodução/Arquivo/Acervo TV Globo

'Pai do rock nacional'

Para o fã que guarda consigo mais de 5 mil objetos pessoais do astro e possui uma tatuagem dele no braço direito, o cantor Raul Seixas era um personagem criado pelo cidadão Raul Santos Seixas.

“Chegou uma hora que esses dois se confundiram. Quem é agora? A criatura dominou o criador”, sugere Sylvio. “Raul gostava de sair do padrão, sair do convencional. Isso pontua muito a obra do Raul e o comportamento do Raul”.

“Eu acho que Raul deixou uma marca na história do Brasil, como crítica social, como músico rebelde, de um músico revolucionário. Um músico que experimentou diversos estilos musicais. Ele realmente marcou época e vem marcando, continua marcando mesmo 30 anos depois de sua morte”, analisa o escritor Tiago ao falar do 'pai do rock brasileiro'.

E qual o maior ensinamento que Raul te deixou, Sylvio?

“Seja você mesmo o tempo todo. Nunca queira ser outra coisa senão você mesmo”, responde Sylvio, o fã que teve o privilégio de se tornar amigo do seu ídolo.

Sylvio Passos posa ao lado de um amigo e o filho dele, todos raulseixistas: produtor exibe tatuagem que fez no braço direito em homenagem ao amigo Raul Seixas — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal Sylvio Passos posa ao lado de um amigo e o filho dele, todos raulseixistas: produtor exibe tatuagem que fez no braço direito em homenagem ao amigo Raul Seixas — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Sylvio Passos posa ao lado de um amigo e o filho dele, todos raulseixistas: produtor exibe tatuagem que fez no braço direito em homenagem ao amigo Raul Seixas — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

* Colaboraram: Celso Tavares (G1), Ana Renata Ortega e Fábio Lucio (Acervo TV Globo-SP) e Pedro Adorno (Acervo TV Globo-RJ)

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