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Fazendeiro é condenado a 12 anos de prisão por ser mandante da morte de sindicalista no PA

Líder sindical, José Dutra havia denunciado a vários órgãos do Estado diversos crimes cometidos pelo possível grupo de extermínio do qual fazia parte o fazendeiro Décio Nunes.

 
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O júri do Fórum Criminal de Belém condenou a 12 anos de prisão o fazendeiro Décio José Barroso Nunes por ser mandante do assassinato do sindicalista José Dutra da Costa, morto no ano de 2000. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (14).

Líder sindical, José Dutra havia denunciado a vários órgãos do Estado diversos crimes cometidos pelo possível grupo de extermínio do qual fazia parte o fazendeiro Décio. A vítima pedia ao INCRA e ITERPA que apurassem a grilagem de terra pratica pelos fazendeiros e distribuísse as terras para fins de reforma agrária. Depois de um longo histórico de ameaças, em novembro de 2000, o sindicalista foi assassinado.

O fazendeiro Delsão, como é conhecido, é o 4° julgado no caso ‘’Dezinho’’. Em 2013, dois acusados de envolvimento no crime foram julgados e absolvidos. Já o pistoleiro Wellington de Jesus da Silva, assassino direto, foi condenado a 27 anos em regime fechado em 2006. O assassino fugiu após receber saída temporária de natal e está foragido.

No primeiro julgamento de Décio José Nunes em 2014, o promotor de Justiça Franklin Lobato Prado recorreu da sentença que condenou a 12 anos de prisão o fazendeiro. O promotor argumentava que o mandante do crime deveria ter uma pena maior que a do pistoleiro, Wellington de Jesus da Silva. O júri foi anulado. Em outubro de 2018, o julgamento foi adiado a pedido do promotor de justiça porque uma testemunha de acusação não poderia comparecer.

O caso

De acordo com o Ministério Público, os principais motivos do crime se referem a atuação de embate do sindicalista com os fazendeiros locais. Além da participação e da defesa de ocupações em terras improdutivas e griladas, a vítima denunciava os crimes cometidos por fazendeiros (dentre eles, trabalho escravo, assassinatos e desmatamento).

De acordo com as conclusões da investigação, inferidas principalmente pelos depoimentos das testemunhas, a vítima José Dutra da Costa, o "Dezinho", participou da ocupação da fazenda "Tulipa Negra" em um contexto de ocupações de terras na região de Rondon do Pará pelo Movimento do Sem-terra (MST). A partir disso, a vítima José Dutra da Costa começou a ser ameaçada de morte por Décio José Barroso Nunes, o "Delsão’’.

Uma das referências contidas nos depoimentos das testemunhas apontam que um grupo de fazendeiros de Rondon do Pará, preocupados com a possível ocupação de terras pelo MST, decidiram pela morte do líder do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rodon do Pará.

Os depoimentos colocam Décio José como líder de um grupo de extermínio, formado principalmente por fazendeiros, que determinava quem poderia viver ou morrer na região.

Inicialmente, o denunciado ‘’Delsão’’ teria contratado um policial encostado na Delegacia de Rondon, que já trabalhava com ele, para matar a vítima. Segundo Francisco Martins, irmão do indicado como contratado para matar José Dutra, a vítima "Dezinho" descobriu os crimes cometidos pelo policial encostado e o denunciou. Ao ser intimado e prestar depoimento, o policial foi assassinado.

 

 

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