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Índia começa a suspender bloqueio da Caxemira

Região do país estava sem conexão telefônica ou de internet desde a véspera do anúncio do fim da autonomia administrativa.

 
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O governo indiano anunciou nesta terça-feira (13) a suspensão progressiva das restrições impostas à Caxemira, onde as linhas telefônicas e a internet foram cortados há mais de uma semana para evitar uma possível revolta. No dia 5 de agosto, a Índia revogou o estatuto de autonomia da região.

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Um porta-voz do ministério do Interior indiano, citado pela agência de notícias AFP, disse que as restrições "estão sendo progressivamente reduzidas" no estado de Jammu e Caxemira, onde em 4 de agosto a mídia foi bloqueada e um cessar-fogo foi decretado, na véspera da revogação da autonomia constitucional da região.

A rodovia ligando Srinagar e Jammu, as duas capitais da parte indiana da Caxemira, foram reabertas, permitindo acesso aos hospitais. Mas a Corte Suprema rejeitou uma petição pedindo a restauração da internet e das linhas telefônicas, argumentando que a situação ainda era “muito sensível”.

Segundo os moradores, a festa muçulmana do Aïd (Dia do Sacrifício) aconteceu sob alta vigilância. Uma grande parte das mesquitas permaneceu fechada e os líderes religiosos receberam a ordem de não abordar a revogação da Caxemira em suas orações, de acordo com o correspondente da RFI em Nova Dheli, Antoine Guinard.

Divisão da região da Caxemira — Foto: Juliane Monteiro/G1 Divisão da região da Caxemira — Foto: Juliane Monteiro/G1

Divisão da região da Caxemira — Foto: Juliane Monteiro/G1

O porta-voz do governo afirmou que os cuidados médicos estavam assegurados “sem nenhum problema” e que os remédios estavam sendo fornecidos aos hospitais. O governo também reconheceu pela primeira vez que confrontos ocorreram após um culto muçulmano de sexta-feira (9). De acordo com a AFP, cerca de 8 mil pessoas participaram de uma manifestação que foi dispersada pelas forças de segurança com tiros de bolinhas de chumbo e gás lacrimogêneo.

“Queremos liberdade”

As autoridades já haviam reduzido parcialmente as restrições no domingo (11) para permitir que os fiéis comparecessem a locais de culto durante as celebrações religiosas da segunda-feira (12). Mas severas proibições foram impostas novamente após os protestos de centenas de pessoas, de acordo com os habitantes.

Além disso, Jama Masjid, a maior mesquita da região do Himalaia, permaneceu fechada para que os fiéis se dirigissem a templos locais menores. O intuito era evitar a formação de grupos grandes de pessoas.

Um vídeo da AFP mostra centenas de pessoas se manifestando no bairro de Soura, em Srinagar, gritando slogans como “Queremos a liberdade” e “Índia vá embora”. “O que a India fez é inaceitável. Nossa luta vai continuar ainda que eles mantenham a Caxemira bloqueada por um mês. A única solução é aceitar nossas exigências”, disse um manifestante.

Desde a independência da metrópole colonial britânica em 1947, a Caxemira foi dividida entre a Índia e o Paquistão, duas potências nucleares que se enfrentam há décadas. Em 1989, a insurreição separatista deixou dezenas de mortos, essencialmente civis.

 

 

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