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Chefe de direitos humanos da ONU pede investigação sobre violência em Hong Kong

Forças de segurança jogaram bombas de gás lacrimogêneo em áreas fechadas e lotadas para dispersar protestos pró-democracia no fim de semana. Aeroporto internacional voltou a suspender check-in.

 
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A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu nesta terça-feira (13) uma "investigação imparcial" sobre o uso de gás lacrimogêneo contra manifestantes de maneiras proibidas pela lei internacional na repressão das manifestações pró-democracia em Hong Kong.

Em um comunicado, Bachelet afirmou que as forças de segurança foram vistas “jogando bombas de gás lacrimogêneo em áreas fechadas e lotadas e diretamente em manifestantes individuais em várias ocasiões, criando um risco considerável de morte ou ferimentos graves".

Bachelet "condena qualquer forma de violência (...) e exige que as autoridades de Hong Kong iniciem uma investigação rápida, independente e imparcial" sobre o comportamento das forças de segurança, afirmou o porta-voz da Alta Comissária, Rupert Colville, durante uma entrevista coletiva em Genebra.

Protestos voltam a paralisar aeroporto de Hong Kong

Protestos voltam a paralisar aeroporto de Hong Kong

No domingo (11), a polícia lançou gás lacrimogêneo nas ruas de comércio e os manifestantes responderam jogando tijolos. Em uma estação de metrô usaram os extintores de incêndio e as mangueiras contra os agentes.

Uma fonte do governo de Hong Kong informou que 45 pessoas ficaram feridas nos confrontos, duas delas em estado grave.

O porta-voz da alta comissária ainda ressaltou que os comentários da China de que via sinais de terrorismo entre os manifestantes de Hong Kong não são úteis e correm o risco de inflamar ainda mais a situação.

Aeroporto volta a suspender check-in

Manifestante exibe cartaz com a expressão ‘desculpe’ na barricada que bloqueia o acesso aos portões de embarque no Aeroporto Internacional de Hong Kong nesta terça-feira (13)  — Foto: Thomas Peter/ Reuters Manifestante exibe cartaz com a expressão ‘desculpe’ na barricada que bloqueia o acesso aos portões de embarque no Aeroporto Internacional de Hong Kong nesta terça-feira (13)  — Foto: Thomas Peter/ Reuters

Manifestante exibe cartaz com a expressão ‘desculpe’ na barricada que bloqueia o acesso aos portões de embarque no Aeroporto Internacional de Hong Kong nesta terça-feira (13) — Foto: Thomas Peter/ Reuters

O aeroporto internacional de Hong Kong chegou a retomar suas operações na manhã desta terça-feira (13), mas o serviço de check-in voltou a ser suspenso à tarde por causa de novos protestos contra o governo. Na segunda-feira (12), todos os voos foram cancelados após milhares de manifestantes invadirem as dependências do terminal aéreo, onde desde sexta-feira acontecem protestos.

Diretora executiva de Hong Kong, Carrie Lam, concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira (13)  — Foto: Thomas Peter/ Reuters Diretora executiva de Hong Kong, Carrie Lam, concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira (13)  — Foto: Thomas Peter/ Reuters

Diretora executiva de Hong Kong, Carrie Lam, concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira (13) — Foto: Thomas Peter/ Reuters

A responsável pela administração do território semiautônomo, Carrie Lam, fez um apelo pelo fim das manifestações.

"Parem um minuto para olhar nossa cidade, nosso lar. Podemos suportar que ela seja levada ao abismo e vê-la se fazer em pedaços?", indagou durante uma coletiva de imprensa na sede de governo.

"Minha responsabilidade vai além desta sequência de protestos em particular", disse ela, acrescentando que a violência colocou o território em um estado de "pânico e caos".

"Eu, como executiva-chefe, serei responsável por reconstruir a economia de Hong Kong, por me engajar o mais amplamente possível, por ouvir o mais atentamente possível às queixas do meu povo e tentar ajudar Hong Kong a seguir em frente."

O complexo administrativo está cercado por barricadas de 1,8 metro de altura repletas de água, de acordo com a agência Reuters.

Série de protestos

Os protestos, cada vez mais violentos, mergulharam o centro financeiro asiático em sua mais séria crise política em décadas, representando um desafio para o governo central em Pequim.

As manifestações populares começaram depois que o governo local apresentou um projeto de lei – atualmente suspenso – que permitiria a extradição de cidadãos de Hong Kong para a China continental.

O governo recuou do projeto, mas os manifestantes ampliaram a pauta de reivindicações e dizem que lutam contra a erosão do arranjo "um país, dois sistemas" - que confere certa autonomia a Hong Kong desde que a China retomou o território do Reino Unido em 1997.

  • Veja as 5 principais diferenças da vida em Hong Kong e na China

Os manifestantes querem barrar a influência de Pequim, que eles consideram crescente, e impedir a redução das liberdades dos cidadãos que vivem no território semiautônomo. Eles também passaram a pedir a renúncia da governante de Hong Kong, Carrie Lam, acusada de não defender os interesses internos. Apoiada pela China, ela diz que permanecerá no poder.

Sem um líder, os manifestantes utilizam as redes sociais para coordenar os protestos e, até agora, conseguiram poucas concessões do poder político. Eles já invadiram o Parlamento local, decretaram uma greve geral que travou os transportes públicos e fizeram um protesto pacífico utilizando canetas com laser.

Neste fim de semana, as forças de segurança entraram em confronto com manifestantes e utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar o protesto. Os revoltosos responderam jogando tijolos e, em uma estação de metrô, usaram os extintores de incêndio e as mangueiras contra os agentes, de acordo com relato da France Presse.

O porta-voz do Escritório de Assuntos de Hong Kong e Macau, Yang Guang, afirmou que "manifestantes radicais de Hong Kong recorreram em diversas ocasiões a objetos extremamente perigosos para atacar os policiais, o que constitui um crime grave e revela sinais incipientes de terrorismo".

A China, que apoia o governo local, tem endurecido o tom com os manifestantes nas últimas semanas. Os protestos foram descritos por Pequim como um plano violento, orquestrado por fundos estrangeiros para desestabilizar o governo central.

As autoridades chinesas advertiram os manifestantes de Hong Kong para que não subestimem "a firme determinação e a imensa força do governo central da China" e "não brinquem com fogo", em uma clara ameaça de intervenção direta na repressão das manifestações.

 

 

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