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Coreia do Norte: Kim Jong-un usa rede clandestina para comprar produtos de luxo

Carros são embarcados em um navio na Holanda, vão para a China, de lá para o Japão, de onde são enviados para a Coreia do Sul, e então, levados por uma rede clandestina até a Coreia do Norte.

 
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O jornal "Le Figaro" desta sexta-feira (19) explica como o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, consegue comprar carros e outros artigos de luxo, apesar do embargo instituído no país em 2006 pelo Conselho de Segurança da ONU.

“Como Kim compra seus Rolls-Royce?” é o título da reportagem do jornal francês, assinada pelo correspondente do "Le Figaro" em Pequim, Philippe Grangereau. A resposta foi dada parcialmente em um relatório publicado na última terça-feira (16) pelo Centro de Estudos Avançados de Defesa, em Washington.

O instituto buscou informações sobre a venda das duas Mercedes utilizadas atualmente pelo líder norte-coreano, avaliadas em torno de € 900 mil (cerca de R$ 3,7 bilhões, pela cotação atual). A identidade dos compradores dos dois veículos não pôde ser determinada pelo centro americano. Sabe-se que os carros deixaram o Porto de Roterdã, na Holanda, em 2018. Dois contêineres selados, contendo as duas limusines, foram levados de caminhão para um embarcadouro, e entregues à companhia de transporte chinesa Cosco.

O carregamento desembarcou 41 dias mais tarde no porto de Dalian, na China, onde permaneceu mais de um mês. No dia 26 de agosto, um navio levou os contêineres para Osaka, no Japão, onde trocaram de navio em Busan, na Coreia do Sul. É nesse ponto do trajeto, destaca a reportagem, que atua uma rede clandestina que provavelmente opera em Pyongyang.

Em Busan, os carros foram entregues a uma companhia registrada nas ilhas Marshall, e embarcados em um navio congolês, com destino a um porto russo, perto de Vladivostok. Mas, no mar, a embarcação desligou seu sistema de identificação automática, se tornando invisível para os satélites.

Rede clandestina também encaminharia materiais nucleares

De acordo com o relatório americano, o governo norte-coreano pagaria o carregamento com carvão natural. O responsável pela negociação seria Danil Kazatchuk, um executivo que atua no setor da comercialização marítima e das minas de carvão. É difícil obter provas concretas, ressaltam os investigadores do centro americano, mas tudo indica que as limusines de Kim Jong-un desembarcaram na Rússia e depois foram levadas de avião para Pyongyang.

Em outubro de 2018, três aviões cargos da companhia nacional norte-coreana, Air Koryo, embarcaram o misterioso carregamento para levá-lo à capital norte-coreana. A estimativa é de que cerca de 800 veículos de luxo foram importados pela Coreia do Norte através dessa rede. O relatório conclui que o embargo surtiu pouco efeito na prática, e que a mesma rede é utilizada para encaminhar materiais usados pela Coreia no enriquecimento de urânio e na construção de bombas nucleares.

 

 

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