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Milhares de espanhóis protestam em Madri contra atuação do governo na negociação com a Catalunha

Presidente do governo, Pedro Sánchez, é acusado de ceder às exigências dos independentistas catalães.

 
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Cerca de 45 mil de espanhóis participaram neste domingo (10) de uma manifestação convocada por partidos de direita em Madri para exigir a renúncia do presidente do governo, Pedro Sánchez, e pedir a realização de eleições antecipadas. O líder socialista é acusado de ceder às exigências dos independentistas catalães.

Os líderes do conservador Partido Popular (PP), Pablo Casado, dos Ciudadanos (liberais), Albert Rivera, e o presidente do ultradireitista Vox, Santiago Abascal, foram fotografados pela primeira vez juntos na praça de Colón durante a manifestação, de acordo com o jornal “El País”.

"O tempo de Sánchez já acabou. Não cabe mais rendição socialista nem mais chantagem independentista. Hoje começa a reconquista", afirmou Pablo Casado.

Manifestantes que atenderam à convocação de partidos de direita levaram bandeiras para protestar contra Pedro Sanchez, em Madri, neste domingo (10)  — Foto: Sergio Perez/ Reuters Manifestantes que atenderam à convocação de partidos de direita levaram bandeiras para protestar contra Pedro Sanchez, em Madri, neste domingo (10)  — Foto: Sergio Perez/ Reuters

Manifestantes que atenderam à convocação de partidos de direita levaram bandeiras para protestar contra Pedro Sanchez, em Madri, neste domingo (10) — Foto: Sergio Perez/ Reuters

A concentração terminou com a leitura de um manifesto que diz que "a união nacional não será negociada" e que os espanhóis "não estão dispostos a tolerar mais traições e nem concessões diante daqueles que querem destruir a nossa pátria".

Catalunha

O protesto contra o socialista acontece na semana em que vão a julgamento 12 líderes do movimento que declarou unilateralmente a independência da Catalunha em 2017. O Ministério Público pediu até 25 anos de prisão contra os acusados, que no momento dos fatos eram responsáveis pelo Executivo e pelo Parlamento regionais.

Sánchez herdou a crise catalã de seu antecessor no Palácio de Moncloa, Mariano Rajoy – considerado incapaz de conter a ascensão do movimento separatista catalão. Rajoy deixou o poder em junho de 2018 após ter sido alvo de uma moção de censura.

Pedro Sánchez, presidente da Espanha, em imagem de arquivo — Foto: Javier Barbancho/Reuters Pedro Sánchez, presidente da Espanha, em imagem de arquivo — Foto: Javier Barbancho/Reuters

Pedro Sánchez, presidente da Espanha, em imagem de arquivo — Foto: Javier Barbancho/Reuters

O líder socialista chegou ao poder em junho de 2018 com a promessa de aliviar as tensões entre o governo central de Madri e os líderes catalães. Sánchez se encontrou duas vezes com o presidente do governo regional, Quim Torra, e integrantes dos dois executivos realizaram várias outras reuniões.

De acordo com a Associated Press, Sánchez disse que estaria disposto a negociar um novo Estatuto de Autonomia para a Catalunha, que determina o autogoverno da região.

Porém, Sánchez rompeu as negociações na sexta-feira (8), quando a vice-presidente, Carmen Calvo, disse que os separatistas não abandonariam sua demanda por um referendo sobre a independência.

Crise na Catalunha

A crise política envolvendo Madri e a Catalunha foi desencadeada após a realização de um referendo considerado ilegal pelo governo e pela Suprema Corte espanhóis. Nessa consulta popular ocorrida em outubro de 2017, 90% dos votantes foram a favor da independência (2 milhões de pessoas, ou 43% do eleitorado catalão).

Com o resultado favorável à separação, o presidente regional catalão, Carles Puigdemont, afirmou no Parlamento local que a região “ganhou direito de ser independente”.

O pronunciamento foi interpretado como uma declaração unilateral de independência da região e o governo espanhol, então dirigido pelo conservador Mariano Rajoy, destituiu o Executivo de Puigdemont, dissolveu o Parlamento catalão e suspendeu a autonomia da região.

 

 

 

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