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Trump vai à fronteira dos EUA com o México para defender projeto de muro

Impasse sobre financiamento e paralisação do governo continuam após reunião fracassada do presidente com lideranças democratas nesta quarta.

 

O presidente Donald Trump está a caminho de McAllen, no Texas, nesta quinta-feira (10), para visitar a zona fronteiriça com o México e defender seu projeto de muro, cujo financiamento levou a um impasse que paralisa parcialmente o governo federal americano.

Donald Trump viaja para a fronteira com o México

Donald Trump viaja para a fronteira com o México

Falando a repórteres na Casa Branca conforme se preparava para partir para McAllen, no vigésimo dia da paralisação parcial do governo, o republicano repetiu sua alegação de que tem o direito de declarar emergência nacional relacionada à imigração caso não consiga chegar a um acordo com os democratas no Congresso para garantir o dinheiro.

Trump busca US$ 5,7 bilhões para o financiamento parcial do muro nas negociações com líderes do Congresso, mas os democratas têm se mantido firmes em sua oposição ao fornecimento de dinheiro para um muro de fronteira.

Menino hondurenho detido pela patrulha de fronteira americana em Penitas, no Texas, nesta quarta-feira (9), após cruzar o Rio Grande — Foto: Adrees Latif/Reuters Menino hondurenho detido pela patrulha de fronteira americana em Penitas, no Texas, nesta quarta-feira (9), após cruzar o Rio Grande — Foto: Adrees Latif/Reuters

Menino hondurenho detido pela patrulha de fronteira americana em Penitas, no Texas, nesta quarta-feira (9), após cruzar o Rio Grande — Foto: Adrees Latif/Reuters

Se Trump declarar uma emergência em um esforço para redirecionar recursos aprovados pelo Congresso para outros fins provavelmente enfrentará contestações nos tribunais.

A visita ao Texas ocorre um dia depois de Trump abandonar as negociações para pôr fim ao "shutdown" federal com líderes democratas.

Trump descreveu no Twitter a reunião com a presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, e com o líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, como "uma total perda de tempo".

As discussões em torno do financiamento do muro e do "shutdown" endureceram nos últimos dias.

"O presidente simplesmente se levantou e foi embora", relatou Schumer, na saída da reunião de quarta-feira.

Os representantes democratas foram à Casa Branca um dia depois de Trump recorrer a um discurso em tom dramático para tentar convencer a opinião pública sobre a necessidade de obter o dinheiro para ergeuer uma barreira de aço na fronteira.

Enquanto as duas partes discutem sobre quem tem culpa pelo fracasso do encontro, cerca de 800 mil funcionários federais -- muitos em uma involuntária licença não remunerada -- esperam a resolução do conflito que se arrasta desde 22 de dezembro pela falta de aprovação do orçamento no Congresso.

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, falam com jornalistas após encontro com Donald Trump na Casa Branca, na quarta-feira (9) — Foto: AP Photo/Susan Walsh A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, falam com jornalistas após encontro com Donald Trump na Casa Branca, na quarta-feira (9) — Foto: AP Photo/Susan Walsh

A presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, falam com jornalistas após encontro com Donald Trump na Casa Branca, na quarta-feira (9) — Foto: AP Photo/Susan Walsh

'Não são criminosos'

E, na fronteira ao sul, trabalhadores humanitários têm uma mensagem para Trump: as coisas não são como o presidente diz, e as pessoas que cruzam o limite com os Estados Unidos não são, em sua maioria, assassinos e traficantes.

"A verdade é que um grande percentual das pessoas que entram no país, que pedem para entrar no país, não é de criminosos. São famílias, crianças, mães, que realmente pedem proteção", afirma a irmã Norma Pimentel, do Centro católico de ajuda humanitária em McAllen, no Texas.

Em Washington, na reunião desta quarta, o presidente perguntou aos democratas se aprovariam os recursos para o muro em troca do fim do "shutdown". E a resposta de Pelosi foi: "Não, de jeito nenhum", contou o congressista republicano Kevin McCarthy, que acompanhou o encontro.

A queda de braço pelo muro, uma das principais promessas de campanha de Trump, acontece em meio à mudança de ciclo político nos Estados Unidos, depois de os democratas recuperarem, na semana passada, o controle da Câmara de Representantes. Já os republicanos continuam mantendo maioria no Senado.

Para a oposição, a proposta do muro é "imoral", além de cara e ineficaz.

A ideia da viagem de Trump hoje até a fronteira é "se reunir com aqueles que estão na linha de frente".

"Quanto sangue mais de americanos precisa ser derramado até que o Congresso faça seu trabalho? Para aqueles que se negam a um acordo em nome da segurança na fronteira, eu lhes peço que imaginem se fosse seu filho, seu marido, ou sua mulher, cuja vida foi totalmente destruída", afirmou o presidente.

Pelosi rebateu a ideia e disse que o verdadeiro problema está "nas políticas cruéis e contraproducentes" que tornaram a fronteira mais perigosa para os migrantes vulneráveis, incluindo as famílias.

Em dezembro, dois meninos migrantes guatemaltecos sob custódia do Serviço de Vigilância Fronteiriça morreram, o que gerou uma indignação generalizada. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) se viu forçado a tomar medidas extras de proteção.

O "shutdown" atual está perto de se tornar o mais longo da história, batendo o recorde de 21 dias ocorrido entre o fim de 1995 e o início de 1996, no governo Bill Clinton.

Muro Trump — Foto: Editoria de Arte/G1 Muro Trump — Foto: Editoria de Arte/G1

Muro Trump — Foto: Editoria de Arte/G1


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