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Marconi Perillo passa 1ª noite preso na sede da Polícia Federal, em Goiânia

 
O ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), preso preventivamente enquanto prestava depoimento no âmbito da Operação Cash Delivery, que apura pagamento de R$ 12 milhões de propinapela Odebrecht para campanhas políticas, passou a primeira noite na sede da Superintendência da Polícia Federal, em Goiânia. Segundo o advogado dele, Antônio Carlos Almeida, conhecido como Kakay, Perillo dormiu em “sala”, e não em “cela”.

No depoimento de Marconi à polícia, obtido pela TV Anhanguera, ele disse que todas as doações às campanhas políticas das quais participou foram legais. A defesa afirma que pediu o cancelamento da audiência de custódia, por conta da falta de perspectiva de que a Justiça concedesse liberdade ao ex-governador durante a sessão.

“Evidentemente, o juiz que tivesse dado a prisão preventiva, do meu ponto de vista ilegal, desfundamentada e injusta, ele não ia soltar o Marconi na audiência de custódia, então nós fizemos isso para preservar a imagem dele. Evidentemente ele concordou com isto, a delegada concordou, nós fizemos um pedido, o juiz deferiu”.

O G1 entrou em contato às 5h30 desta quinta-feira (11), por e-mail e telefone, com a assessoria de imprensa da Polícia Federal e da Justiça Federal, para obter informações sobre as instalações em que Perillo passou a noite e também sobre o cancelamento da audiência de custódia informado pela defesa, e aguarda um posicionamento das instituições.

O G1 também entrou em contato com a assessoria de imprensa da Odebrecht por e-mail às 19h33 de quarta-feira (10) e às 5h50 desta quinta-feira, pedindo um novo posicionamento da empresa, e aguarda retorno. Em nota enviada na última semana, a companhia havia dito que “continua colaborando com a Justiça e reafirma o seu compromisso de atuar com ética, integridade e transparência”.

Marconi Perillo (PSDB) foi preso nesta quarta-feira (10) enquanto prestava depoimento à Polícia Federal, em Goiânia. O ex-governador tinha depoimento marcado para as 15h, mas teria chegado duas horas mais cedo e entrado pelos fundos para evitar os jornalistas.

Segundo a defesa de Perillo, ele "recebeu o decreto de prisão quando estava iniciando o seu depoimento [...] e optou por manter o depoimento por ser o principal interessado no esclarecimento dos fatos".

‘Pacto de silêncio’

O Ministério Público Federal (MPF-GO), ao pedir a prisão do ex-governador de Goiás Marconi Perillo (PSDB), comparou a organização criminosa da qual ele seria o líder com a máfia, citou a existência de “pacto de silêncio” entre os membros e afirmou que o político ainda é muito influente no estado.

Justificando o pedido de prisão de Marconi, o MPF afirmou que o grupo que ele lideraria se assemelha a “organizações criminosas do tipo mafioso, que buscam preservar a sua existência através da Omertá, ou Pacto do Silêncio”. O órgão se refere ao silencio em depoimento à PF do policial militar Márcio Garcia de Moura, motorista de Jayme Rincon – ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop), ex-diretor financeiro da campanha de Perillo em 2010 e apontado como braço direito do tucano.

A operação ocorreu em decorrência de delações da Odebrecht na Operação Lava Jato. Cinco pessoas foram presas quando a Operação Cash Delivery foi deflagrada, no dia 28 de setembro, e cumpriu mandados em endereços ligados a Marconi Perillo. Foram presos Jayme Rincón, o filho dele, Rodrigo Godoi Rincón, Márcio Garcia de Moura – policial militar e motorista de Rincón –, o empresário Carlos Alberto Pacheco Júnior e o advogado Pablo Rogério de Oliveira.

Foram apreendidos R$ 80 mil na casa de Jayme Rincón. Outros R$ 940.260, na casa do motorista dele. De todos os suspeitos, além de Perillo, apenas o PM Márcio Garcia de Moura seguia preso até a noite de quarta-feira. O militar, segundo a defesa do ex-governador, foi solto por volta das 20h30 do mesmo dia. O empresário, o policial, o advogado e Rodrigo sempre negaram ter cometido crime.

Jayme Rincón, que é ex-presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) e foi coordenador financeiro de campanha eleitoral em 2010, disse em depoimento à PF que “recursos” para campanhas eleitorais de candidatos aliados foram entregues pela Odebrecht a seus motoristas no apartamento que tem em São Paulo.

Na ocasião ele também disse que esses valores eram “destinados, em sua maioria, para campanhas de candidatos aliados” e que “parte dos valores era oficializado com ajuda de empresas parceiras” – o que pode configurar lavagem de dinheiro, de acordo com a PF. Jayme disse ainda que “todo o montante destino à campanha de Marconi Perilllo foi legalizado”.

Segundo o MPF, mesmo Moura não sendo “o dono do dinheiro e sim o encarregado de escondê-lo”, o policial “preferiu manter-se em silêncio, a apresentar versão que explicasse ou justificasse a origem [...], ou mesmo buscasse obter benefícios legais previstos para o investigado colaborador”. O documento afirma que o policial de manteve em silencia em depoimento à PF “seguindo as instruções do advogado que lhe fora contratado sem que ele sequer tivesse conhecimento”.

O G1 não localizou a defesa de Moura para pedir um novo posicionamento a respeito do caso.

Também de acordo com o MPF, mesmo não ocupando nenhum cargo público atualmente, Marconi segue com considerável influência no governo. O órgão cita que o ex-governador estaria articulando para, caso não conseguisse uma cadeira no Senado nessas eleições – o que de fato não ocorreu, fosse indicado para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas da União (TCU), como o cunhado dele.

O órgão diz ainda que considera a prisão preventiva dele indispensável para cessar os atos criminosos da organização investigada: “necessidade urgente da prisão do próprio chefe maior, que só não foi requerida antes em razão da imunidade temporária à prisão lhe conferida pela lei eleitoral aos candidatos às eleições de 2018”.

Ao conceder o pedido de prisão, o juiz afirmou que a apreensão de quantias em dinheiro não declaradas nas casas de Rincón e Moura no último dia 28, quando foi deflagrada a Operação Cash Delivery, são evidência de que a organização investigada continua agindo.

O magistrado disse ainda que há indícios de que a o grupo não recebia doações ilícitas somente da Odebrecht. “Referida estrutura reforça os elementos colhidos até então, demonstrando que Marconi Perillo utilizou-se de sofisticada estrutura para lavagem de dinheiro, ocultando a propina recebida por meio de ‘empresas parceiras’”.

 

 

 

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