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Russos protestam contra reforma da previdência

Eleições regionais são marcadas por dezenas de detenções em protestos contra planos do Kremlin de reformar sistema previdenciário, aumentando idade de aposentadoria.

 
 -  Protesto contra reforma da previdência em Moscou, na Rússia  Foto: Vasily MAXIMOV / AFP
Protesto contra reforma da previdência em Moscou, na Rússia Foto: Vasily MAXIMOV / AFP

Críticos do governo do presidente Vladimir Putin saíram às ruas da Rússia neste domingo (09) para protestar contra os planos de aumentar a idade de aposentadoria, no mesmo dia em que são realizadas eleições regionais no país.

Centenas de pessoas participaram de manifestações em 25 cidades, incluindo Moscou e São Petersburgo. Ao menos 2 mil pessoas protestaram no centro da capital.

Os protestos foram convocados pelo líder da oposição e ativista anticorrupção Alexei Navalny, que atualmente cumpre uma sentença de 30 dias de detenção devido a outra manifestação, realizada em janeiro.

Cerca de 50 apoiadores de Navalny foram detidos antes do início dos protestos deste domingo. Mais de 150 pessoas foram presas durante as várias manifestações, segundo o grupo independente de monitoramento OVD-Info.

O governo russo planeja elevar a idade de aposentadoria em cinco anos – de 60 para 65 anos para homens e 55 para 60 anos para mulheres. A expectativa média de vida na Rússia é de 66 anos para homens e 77 para mulheres.

A proposta provocou uma rara eclosão popular e fez com que o índice de aprovação de Putin caísse 15%.

Mesmo atrás das grades, Navalny fez sentir sua presença à frente das manifestações. "Por 18 anos, Putin e seu governo roubaram do orçamento, desperdiçando em projetos sem sentido. Agora o dinheiro acabou e nós temos que roubar dos aposentados para pagar as contas", disse a equipe de rede social de Navalny, ao apelar ao público para ir às ruas.

O plano de reforma previdenciária do Kremlin parece ser a medida mais impopular do governo desde 2005, quando acabou com vários benefícios da era soviética.

Para reagir à queda de popularidade, Putin propôs uma série de medidas para suavizar uma impopular reforma previdenciária. Em raro discurso televisionado, o presidente sugeriu no fim de agosto elevar a idade de aposentadoria em apenas cinco anos para mulheres (60 anos), em vez da proposta anterior de oito anos. Por outro lado, Putin manteve o aumento proposto na idade de aposentadoria para os homens para 65 anos.

O presidente também sugeriu a aposentadoria antecipada para mães de famílias numerosas. "Se a mulher tem três filhos, poderá se aposentar três anos antes do prazo. Se são quatro, serão quatro anos antes. Já para as mulheres que tenham cinco filhos ou mais, tudo deve continuar como até agora, elas poderão se aposentar aos 55 anos", acrescentou o líder russo.

Reflexo nas urnas

Os russos vão às urnas neste domingo para escolher governadores, legisladores locais e outros funcionários. Em Moscou, espera-se que o prefeito e aliado de Putin, Serguei Sobyanin, vença por esmagadora maioria, apesar de ter se recusado a participar de qualquer debate eleitoral que antecedeu a votação.

No geral, porém, a eleição deste domingo deve ser prejudicada pela baixa participação, principalmente devido ao descontentamento generalizado em relação às reformas do sistema de pensões do governo.

"Obviamente, a insatisfação com a reforma da previdência se expressará numa redução da porcentagem de eleitores que vai votar para o partido no poder, bem como na atividade eleitoral em geral", disse Valery Fedorov, chefe do Centro de Pesquisa de Opinião Pública da Rússia à agência de notícias Interfax na semana passada.

Jovem é preso em São Petersburgo durante protesto contra a reforma da previdência (Foto: Olga MALTSEVA / AFP) Jovem é preso em São Petersburgo durante protesto contra a reforma da previdência (Foto: Olga MALTSEVA / AFP)

Jovem é preso em São Petersburgo durante protesto contra a reforma da previdência (Foto: Olga MALTSEVA / AFP)

 

 

 

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