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Homens asseguram que ser pai '''é uma das melhores coisas da vida'''

Não importa se filho é biológico ou adotado. Eles dizem que sentimento é o mesmo. Engenheiro mecânico Lucas Andrade, pai biológico da Clara Andrade, de cinco anos de idade, garante que a paternidade é uma coisa sagrada .

 
 -  Gabriel e seus dois pais, João Carlos Fonseca Martins e George Antônio do Nascimento Souza  Foto: Arquivo pessoal
Gabriel e seus dois pais, João Carlos Fonseca Martins e George Antônio do Nascimento Souza Foto: Arquivo pessoal

O Dia dos Pais passou a ter um significado ainda mais especial para o casal João Carlos Fonseca Martins e George Antônio do Nascimento Souza depois que eles experimentaram a paternidade. Eles se tornaram pais do pequeno Gabriel, que completou dois anos de idade. Gabriel não veio de forma biológica, veio por meio de um processo chamado adoção. "Mas é apenas um processo, como tantos outros. Paternidade está além de gerar biologicamente um filho, de perpetuar a reprodução da espécie humana, está além da identidade de gênero, da orientação sexual. A paternidade está contida na capacidade de amar e acolher dignamente um filho, independente de posição socioeconômica e do tipo de família constituída", avalia João.

João Carlos é servidor público e George Antônio é professor de Educação Física. Eles vivem juntos há 20 anos e são casados desde 2013, quando saiu a súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) reconhecendo casamentos civis de casais homoafetivos. Foram eles, inclusive, o primeiro casal homoafetivo que oficializou a união civil em Belém. O desejo da paternidade surgiu pouco tempo depois da união civil de forma espontânea e junto com o amadurecimento da relação, relembra João.

"A paternidade nunca esteve no nosso planejamento familiar, o desejo surgiu com o amadurecimento da relação e com as conquistas de alguns direitos assegurados à população LGBTI+, como reconhecimento do casamento civil, direito à adoção, licença paternidade. E hoje o reconhecimento da diversidade de família também pode motivar o desejo à paternidade", diz George.

Segundo João, tudo muda após se tornar pai. "Você percebe que se faz necessário rever sua relação com o mundo, concepção de vida, tolerância, respeito à diversidade, pois isso reflete na educação que construímos diariamente com nosso filho e precisa refletir de forma positiva, colaborando na construção de uma criança feliz, e, futuramente, um cidadão ético e transformador de um mundo melhor", avalia.

João e George não esquecem o dia em que receberam a ligação que mudou a vida deles. “Nós havíamos feito a habilitação para adentrar no processo da adoção. Na antevéspera do Círio de Nazaré de 2016, recebemos uma ligação. A caminho do telefone eu senti que aquela ligação era uma notícia sobre o meu filho”, relata João. De fato a ligação era do Judiciário. Era a notícia de que o Gabriel estava a caminho.

“Quando eu olhei o Gabriel eu disse imediatamente: é meu filho”, lembra João.

O pai conta que Gabriel foi registrado como dependente do casal em todos os benefícios sociais, entre eles, plano de saúde, da mesma forma que é realizada com um casal heteroafetivo. “Sou uma pessoa muito feliz por estar vivendo esse momento com o meu filho”, avalia. Ele diz que não consegue entender como o direito de adotar foi negado durante tantos anos aos homossexuais. “Também nunca passou pela minha cabeça ser pioneiro nisso, haja vista que a adoção por casais homoafetivos é, de certa forma, uma coisa nova no país”, avalia.

"O Gabriel chegou e compartilhamos de tudo da nossa vida com ele. Nossas viagens, nosso lazer…", diz João (Foto: Arquivo pessoal ) "O Gabriel chegou e compartilhamos de tudo da nossa vida com ele. Nossas viagens, nosso lazer…", diz João (Foto: Arquivo pessoal )

"O Gabriel chegou e compartilhamos de tudo da nossa vida com ele. Nossas viagens, nosso lazer…", diz João (Foto: Arquivo pessoal )

O casal já pensa em ter mais um filho. “Uma criança é sempre um presente. Hoje, arrependimento eu só tenho de não ter adotado antes. O Gabriel chegou e compartilhamos de tudo da nossa vida com ele. Nossas viagens, nosso lazer. Inclusive eu trabalho perto de casa e faço questão de vir almoçar todos os dias com o meu filho, para compensar, de alguma forma, os momentos de ausência”, diz João.

Paternidade é sagrada

O engenheiro mecânico Lucas Andrade (25), pai biológico da Clara Andrade, de cinco anos de idade, também experimentou a paternidade e garante que, “assim como a maternidade, a paternidade é uma coisa sagrada”. "Ser pai é muito bom, é uma experiência única. Não tem como descrever em palavras. Recomendo viver essa experiência", diz. Ele é casado há oito anos com Joseane Andrade e, desde jovens, eles tinham vontade de ter uma filha. Para a alegria da família, a Clara chegou.

O engenheiro mecânico Lucas Andrade (25) e sua filha, Clara Andrade, de cinco anos de idade (Foto: Arquivo pessoal ) O engenheiro mecânico Lucas Andrade (25) e sua filha, Clara Andrade, de cinco anos de idade (Foto: Arquivo pessoal )

O engenheiro mecânico Lucas Andrade (25) e sua filha, Clara Andrade, de cinco anos de idade (Foto: Arquivo pessoal )

Padre Edvaldo Andrade Amaral também ressalta a sacralidade da paternidade e lembra que a bíblia faz várias referências a ela. Ele cita ainda como referência a encíclica Familiaris Consortio, do Papa João Paulo II, que fala bastante sobre a paternidade. O Papa escreveu: “tornando-se pais, os esposos recebem de Deus o dom de uma nova responsabilidade. O seu amor paternal é chamado a tornar-se para os filhos o sinal visível do próprio amor de Deus, 'do qual deriva toda a paternidade no céu e na terra' (Ef. 3, 15)”.

O texto do documento diz ainda: "mesmo quando a procriação não é possível, nem por isso a vida conjugal perde o seu valor. A esterilidade física, de fato, pode ser para os esposos ocasião de outros serviços importantes à vida da pessoa humana, como por exemplo a adoção, as várias formas de obras educativas, a ajuda a outras famílias, às crianças pobres ou deficientes".

O pastor Sérgio Obalski Filho explica que, ao longo de toda a bíblia, o termo paternidade está presente, desde quando Deus criou o homem, quando deu origem à humanidade. “Deus é o pai da humanidade”, ensina.

Ainda segundo o pastor, pela cosmovisão bíblica, o termo paternidade tem um sentido muito profundo, porque a relação de Deus com seu povo é uma relação paterna. “Deus se apresenta sempre de forma paterna. E na Palavra, a paternidade adquire um sentido de proteção e de correção, pois Deus adverte o filho que Ele ama. Deus é um pai por excelência porque escolheu amar. Romanos 8,15 diz que Deus nos adotou, ele escolheu nos amar como um pai”, explica.

Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do G1 Pará no (91) 98814-3326

 

 

 

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