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Evo Morales inaugura nova sede de governo criticada pelo custo milionário

Com oferendas à Pachamama, a divindade que representa a Mãe Terra, presidente da Bolívia inaugurou nova sede do governo em La Paz. Obra gerou polêmica por ter custado milhões de dólares e destoar da arquitetura colonial do centro da capital.

 
 -  Vista do novo palácio presidencial da Bolívia, chamado de ‘A Casa Grande do Povo’, em La Paz, no dia de sua inauguração, quinta-feira  9   Foto: Reut
Vista do novo palácio presidencial da Bolívia, chamado de ‘A Casa Grande do Povo’, em La Paz, no dia de sua inauguração, quinta-feira 9 Foto: Reut

Com oferendas à Pachamama, a divindade que representa a Mãe Terra, o presidente da Bolívia, Evo Morales, inaugurou na quinta-feira (9) a nova sede do governo em La Paz. A obra gerou polêmica por ter custado milhões de dólares e destoar da arquitetura colonial do centro da capital.

O edifício de 29 andares, batizado de a Casa Grande do Povo ("Casa Grande del Pueblo", em espanhol), tem sido popularmente chamado de o "palácio do Evo". Um dos motivos da polêmica é o custo da obra, orçada em mais de 240 milhões de bolivianos, cerca de US$ 34 milhões, valor considerado excessivo pelos críticos do governo.

As dependências do prédio também são motivo de divergência. Opositores afirmam que dentro da Casa Grande do Povo há sauna, piscina jacuzzi, entre outros supostos luxos que seriam desnecessários no edifício que abrigará a presidência e alguns ministérios. Membros do governo garantem que "não há nenhum luxo" no local e que a estrutura está de acordo com a época atual.

Outro ponto de desacordo é a arquitetura do prédio de 119 metros de altura. Ela destoa dos prédios vizinhos, a maioria deles construídos há mais de um século, todos de características coloniais e de baixa estatura. É impossível chegar na Praça Murillo e não ver o novo e imponente edifício cinza de vidros espelhados contrastando com os tons alaranjados de La Paz.

Presidente rechaça críticas

Morales afirma que a construção da Casa Grande do Povo foi necessária para a infraestrutura pública deixar de ser um “Estado inquilino”. De acordo com ele, o Estado gastava cerca de US$ 20 milhões por ano em aluguéis e outros pagamentos para o funcionamento dos ministérios e de outras repartições públicas.

Outro motivo para deixar o secular Palácio Quemado teria sido a falta de espaço para os atuais símbolos nacionais da Bolívia. O antigo endereço da presidência estava repleto de peças coloniais europeias. Morales, pelas redes sociais, afirmou que a Casa Grande do Povo é o símbolo da nova Bolívia, "digna e soberana", que está sendo construída. Em breve, o governo boliviano irá erguer mais um edifício, desta vez para o ministério do Esporte.

A primeira reunião da presidência na Casa Grande do Povo será nesta sexta-feira (10), mas já na noite de quarta-feira o edifício foi aberto à visitação para jornalistas.

Logo na entrada, há um mural do pintor boliviano Mamani Mamani. Em três pinturas, o artista ilustrou todos os departamentos do país, os climas, além das mais de 30 nações que integram o chamado Estado Plurinacional da Bolívia. As salas de reuniões foram batizadas com nomes de importantes destinos do país.

Suíte presidencial luxuosa

O prédio tem sete elevadores e um deles é de uso exclusivo do presidente. Dois andares também foram projetados para uso exclusivo de Morales. De acordo com um diário local, a suíte presidencial teria mais de mil metros quadrados e contaria com uma banheira jacuzzi, academia de ginástica e sala de leitura. O topo do prédio conta com um heliporto, que servirá de mirante turístico.

O nome Casa Grande do Povo é uma homenagem àqueles que em 2006 elegeram Morales: indígenas, trabalhadores, pessoas do campo e cidadãos de classes populares. Durante a inauguração, foi feita uma oferenda à Pachamama, a Mãe Terra idolatrada na cultura boliviana.

Antigo palácio se tornará museu

Desde 1825, ou seja, por mais de um século, o Palácio Quemado foi a sede do governo e palco de boa parte da história boliviana. O antigo edifício, que em 1876 foi saqueado e incendiado, daí seu nome de Palácio Quemado, será transformado em um museu e também abrigará alguns escritórios do governo, entre eles a Direção Estratégica da Reivindicação Marítima e também a de Recursos Hídricos Internacionais.

Já na Casa Grande do Povo funcionarão os ministérios da Presidência, de Comunicação, Culturas, Turismo, Meio Ambiente e Águas e o de Energia.

 

 

 

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