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CPI identifica diretores da Hydro que decidiram despejar água de chuva em canal sem autorização

Robson Holanda, diretor industrial da Hydro Alunorte, disse que decisão foi tomada entre ele e mais três diretores.

 
 -  Diretor de operações decidiu, junto a outros três diretores, despejar efluentes de refinaria em rios do Pará.  Foto: Reprodução / Alepa
Diretor de operações decidiu, junto a outros três diretores, despejar efluentes de refinaria em rios do Pará. Foto: Reprodução / Alepa

"Tivemos que lançar água da chuva pelo canal reserva", disse o diretor industrial da refinaria Hydro Alunorte, Robson Holanda, durante oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), em Belém. O canal utilizado estava desativado e não tinha autorização de órgão ambiental para funcionar. A Hydro já havia confessado uso do canal, mas negou a contaminação.

De acordo com o depoimento de Holanda, a decisão de usar o canal reserva ou Canal Velho foi tomada por ele e mais três diretores no dia 16 de fevereiro, quando fortes chuvas atingiram Barcarena, nordeste do Pará. Segundo o relato, o canal foi utilizado mais de uma vez, quando a empresa não dá conta de drenar a água.

Os casos de contaminação da norueguesa Hydro vieram à tona em Barcarena nos dias 16 e 17 de fevereiro deste ano, quando resíduos de bauxita vazaram para o meio ambiente após fortes chuvas. Uma vistoria com a presença da procuradoria do Ministério Público identificou uma tubulação clandestina que saía da refinaria e despejava rejeitos que contaminaram o solo da floresta e rios das localidades próximas. Ainda foram encontradas outras duas tubulações ilegais que tinham a mesma finalidade.

Refinaria da Hydro em Barcarena, no Pará (Foto: Tarso Sarraf / O Liberal) Refinaria da Hydro em Barcarena, no Pará (Foto: Tarso Sarraf / O Liberal)

Refinaria da Hydro em Barcarena, no Pará (Foto: Tarso Sarraf / O Liberal)

A CPI apura danos ambientais nos rios do Pará depois de desastre ambiental nas dependências da Hydro em Barcarena.

A 19ª oitiva ocorreu na segunda-feira (6), presidida pelo deputado Coronel Neil, e com a presença dos deputados Celso Sabino e Carlos Bordalo.

Os deputados devem ir nesta quinta-feira (9) a uma visita na mina de bauxita da Mineração Rio do Norte, em Oriximiná, oeste do estado.

A mina está localizada a 30 quilômetros ao sul da vila de Porto Trombetas e começou a ser explorada em 1979.

As próximas oitivas estão marcadas para os dias 13 e 24 de agosto. Para o dia 20, está sendo organizada uma reunião com testemunhas e representantes de comunidades. Depois disso, um relatório deve ser fechado e submetido à decisão dos demais membros da CPI.

Sindicato quer garantia dos empregos

Também foi ouvido o diretor do Sindicato dos Químicos de Barcarena, Manoel Paiva. Ele manifestou preocupação com a garantia de empregos dos trabalhadores na refinaria. A Justiça suspendeu em 50% a produção. Paiva disse que ainda não ocorreram demissões por causa de liminar na Justiça, a ser julgada no dia 25 de outubro.

Paiva pediu apoio para a suspensão em apenas 20% da capacidade produtiva da Hydro, responsabilizando o Ministério Público Federal (MPF), Estadual (MPPA), o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semas) pelo "clima de insegurança". "Os trabalhadores não são responsáveis pelo acidente", comentou..

infográfico, hydro, barcarena (Foto: Infográfico: Alexandre Mauro e Igos Estrella / G1) infográfico, hydro, barcarena (Foto: Infográfico: Alexandre Mauro e Igos Estrella / G1)

infográfico, hydro, barcarena (Foto: Infográfico: Alexandre Mauro e Igos Estrella / G1)

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Entenda o caso

Nos dias 16 e 17 de fevereiro deste ano, resíduos de bauxita contaminada vazaram da Hydro Alunorte para o meio ambiente após fortes chuvas em Barcarena. Após uma vistoria com a presença da procuradoria do Ministério Público, foi identificado uma tubulação clandestina que saída da refinaria e despejava rejeitos que contaminaram o solo da floresta e rios das localidades próximas. Ainda foram encontradas outras duas tubulações ilegais que tinham a mesma finalidade.

A empresa recebeu sanções da Justiça que determinou a redução de sua produção em 50% até que sejam resolvidos os problemas das comunidades atingidas pela contaminação e sejam resolvidos os problemas para a captação dos rejeitos das bacias durante as fortes chuvas que caem regularmente na região, além de ter condenado a empresa a pagar R$ 150 milhões por danos ambientes.

O Instituto Evandro Chagas realizou coletas de solo e água nas comunidades que ficam ao redor da Hydro e após análise em laboratório foi constatado alteração nos elementos químicos presentes no solo, além da presença de metais pesados e cancerígenos como chumbo. A Hydro encomendou um estudo que refutou as análises do IEC e negou que houve contaminação.

Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do G1 Pará no (91) 98814-3326

 

 

 

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