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De VIP na ópera a fila de autógrafos: conheça histórias bizarras e divertidas de brasileiros na Rússia

O G1 conversou com cinco brasileiros que foram ao país assistir aos jogos da Copa do Mundo e que voltaram cheios de histórias engraçadas para contar

 
 -  Brasileiro Samuel Almeida foi parado por diversos estrangeiros para tirar fotos e dar autógrafos. Na foto acima, ele autografa para uma russa.  Foto:
Brasileiro Samuel Almeida foi parado por diversos estrangeiros para tirar fotos e dar autógrafos. Na foto acima, ele autografa para uma russa. Foto:

Se fazer uma viagem já rende muitas boas histórias e recordações, ir para a Rússia em plena Copa do Mundo, pode render ainda mais. Algumas, inclusive, bem bizarras, incluindo dar autógrafos para uma fila de estrangeiros sem ser uma pessoa famosa (apenas por ser brasileiro) ou ainda assistir a um espetáculo de ópera na faixa depois de fazer amizade com músicos russos em um restaurante.

O G1 entrevistou cinco brasileiros que viajaram para a Rússia nesta Copa do Mundo. Teve até quem achasse que não ia mais voltar para o Brasil, como o Samir Neckel que fez uma viagem perturbadora e aventureira por Moscou em um Uber. Assista ao vídeo acima.

É só abrir a bandeira que forma fila de autógrafos

Brasileiro Samuel Almeida foi parado por diversos estrangeiros para tirar fotos e dar autógrafos. Na foto acima, ele autografa para uma russa. (Foto: Arquivo pessoal) Brasileiro Samuel Almeida foi parado por diversos estrangeiros para tirar fotos e dar autógrafos. Na foto acima, ele autografa para uma russa. (Foto: Arquivo pessoal)

Brasileiro Samuel Almeida foi parado por diversos estrangeiros para tirar fotos e dar autógrafos. Na foto acima, ele autografa para uma russa. (Foto: Arquivo pessoal)

O comerciante e árbitro Samuel Almeida, 42 anos, de São Paulo, resolveu ir para a Rússia uma semana antes do terceiro jogo do Brasil contra a Sérvia. Pisou em Moscou três horas antes do início da partida e conseguiu comprar o ingresso minutos antes do jogo. Sortudo e pé quente, ele, que viaja pela primeira vez para a Europa, diz que se encanta com tudo que vê, mas está surpreso mesmo é com o carinho e receptividade dos russos. “Nunca imaginei que a camisa do Brasil mexeria tanto com as pessoas”, diz. E o que não faltou foram muitos autógrafos (pelo menos 20 assinaturas) e centenas de fotos.

“Na primeira vez que me pediram um autógrafo, eu não sabia o que fazer. Não sou uma celebridade. Nunca dei um autógrafo antes. Então, desenhei um coração, assinei meu nome e escrevi ‘Brasil’”, conta ao G1. Para Samuel, é a alegria e o sorriso estampado no rosto que chamam a atenção dos russos. Além disso, muitos nunca chegaram perto de um brasileiro, então querem eternizar aquele momento em alguma lembrança.

“Meus amigos pedem para eu não abrir a bandeira porque, se abrir, forma uma fila de pessoas para tirar foto. A gente não consegue andar”, diz. Ele, que tinha a imagem de russos serem fechados, se encantou pelo carinho que foi recepcionado. “Nas ruas, eles gritam ‘Pelé’, ‘Brasile’, ‘Brasil Champion’, e dizem que torcem pelo Brasil”, comenta. Os russos também pedem para trocar objetos. Samuel já trocou chapéus, camisas, bandeiras e chaveiros.

Samuel Almeida é fotografado com brasileiros e russos na Praça Vermelha, em Moscou. (Foto: Arquivo pessoal) Samuel Almeida é fotografado com brasileiros e russos na Praça Vermelha, em Moscou. (Foto: Arquivo pessoal)

Samuel Almeida é fotografado com brasileiros e russos na Praça Vermelha, em Moscou. (Foto: Arquivo pessoal)

Amizade com músicos locais e convite para ópera

Lúcio Vicente e os amigos músicos russos que conheceu em um restaurante, em São Petersburgo. (Foto: Arquivo pessoal) Lúcio Vicente e os amigos músicos russos que conheceu em um restaurante, em São Petersburgo. (Foto: Arquivo pessoal)

Lúcio Vicente e os amigos músicos russos que conheceu em um restaurante, em São Petersburgo. (Foto: Arquivo pessoal)

Há quem goste de viajar para conhecer belas paisagens, experimentar a gastronomia local, apreciar a vida cultural de uma cidade ou mesmo curtir a noite. Mas também há aqueles que gostam mesmo de conhecer o modo de vida local e ter a oportunidade de conviver com um povo totalmente diferente do seu próprio país.

É o caso do capixaba Lúcio Vicente, de 31 anos, que vive em Santarém, no Pará, e hoje trabalha como piloto de navios em Fortaleza. Depois de um jantar em São Petersburgo, caminhou pela cidade e sentou em um balcão de um restaurante, onde começou a conversar com russos que estavam ali. Eles eram músicos e convidaram o brasileiro para assistir a uma ópera em que eles mesmos participavam.

“Fiquei encantado, foi um momento sem igual. Foi uma apresentação muito bonita e a arquitetura do lugar era maravilhosa”, diz. Surpreso com a receptividade dos russos, deixou de vê-los como pessoas frias, como muitos pensam que eles são. “Eles só não ficam sorrindo toda hora, nem se abrem para quem não tem intimidade. Mas são seres humanos como nós, não são de outro mundo”.

Para Lúcio, esse foi o momento mais inesquecível de sua viagem: “Eu amo conhecer pessoas e compartilhar experiências”. Ele já fez o convite para os russos o visitarem em Santarém, no Pará. “Já mostrei algumas fotos e aqui é muito diferente de tudo que eles viram. Falei que é só comprar a passagem que já tem casa e comida”, conta.

Um Uber muito doido

Samir Neckel pegou uma corrida por aplicativo em Moscou com um motorista que não só adorava correr, como também se envolveu em um acidente (Foto: Arquivo pessoal) Samir Neckel pegou uma corrida por aplicativo em Moscou com um motorista que não só adorava correr, como também se envolveu em um acidente (Foto: Arquivo pessoal)

Samir Neckel pegou uma corrida por aplicativo em Moscou com um motorista que não só adorava correr, como também se envolveu em um acidente (Foto: Arquivo pessoal)

O empresário Samir Neckel, de 40 anos, só queria uma corrida do centro de Moscou até a feira de Izmailovo, a cerca de 15 km da capital russa, para comprar souvenirs da viagem. O resultado foi, em suas palavras, uma das experiências mais emocionantes em toda a vida, com um motorista de Uber que não só gostava de velocidade, mas também se envolveu em um acidente durante o trajeto.

“Foi meio que assustador, para falar a verdade. Ele parou para abastecer, e um dos meninos que estava atrás falou ‘o cara parece o Schumacher’. Quando [o motorista] ouviu, ele caiu na gargalhada e continuou correndo. Achou que a gente estava adorando, mas estava todo mundo morrendo de medo”, lembrou Samir, que mora em Curitiba.

Um dos momentos de maior tensão no caminho foi quando o motorista russo bateu em outro carro. “Nós estávamos saindo do centro, houve um momento em que o trânsito parou e ele bateu na traseira de outro russo, e saiu alucinado, como se ele, que bateu na traseira, estivesse correto”, ironizou o brasileiro. “Eles discutiram, não sei o que acertaram: deram a mão, um abraço, e ficou por isso mesmo”, contou Samir.

A corrida levou mais de uma hora, com o motorista sem ter a mínima ideia de onde estava, e entrando até numa espécie de estrada vicinal “Brinquei com o pessoal, falando: ‘esse russo vai roubar nossos órgãos, agora ele vai desovar os corpos”, riu o paranaense, que ainda considera o saldo da aventura. “É uma baita história, vou contar pros meus netos”, disse Samir. “Uma experiência única”.

Restaurante sem vodca

Matheus Carvalho e os amigos esgotaram a vodca de um restaurante, localizado em São Petersburgo. Na foto, ele exibe os copos que colecionou na Fifa Fan Fest. (Foto: Arquivo Pessoal) Matheus Carvalho e os amigos esgotaram a vodca de um restaurante, localizado em São Petersburgo. Na foto, ele exibe os copos que colecionou na Fifa Fan Fest. (Foto: Arquivo Pessoal)

Matheus Carvalho e os amigos esgotaram a vodca de um restaurante, localizado em São Petersburgo. Na foto, ele exibe os copos que colecionou na Fifa Fan Fest. (Foto: Arquivo Pessoal)

O goiano Matheus Carvalho, estudante, de 23 anos, não perde uma oportunidade de se divertir. E na Rússia, em plena Copa do Mundo, não poderia ser diferente. No país em que a vodca é uma das bebidas mais típicas e conhecidas, ele e o grupo de 72 pessoas com quem viajava acabaram com a vodca do restaurante. “O pessoal começou a beber, mas as pessoas das outras mesas ficaram com inveja. Então, começou uma competição entre as mesas”, diz.

E, quando foram pedir a próxima dose, foram informados pelo garçom de que a bebida tinha acabado. Então, na brincadeira começaram a enviar garrafas de vodca para as mesas com água em vez de bebida. Teve gente que caiu na brincadeira e tomou a dose de água pensando que era vodca.

E a festa não acabou no restaurante, claro. Continuou no trem-bala entre as cidades de Moscou e São Petersburgo. Nele, havia um vagão com bar que reuniu diversos brasileiros. “Todos os brasileiros do trem foram para lá e se conheceram, ficaram conversando e cantando muito alto”, diz. Até que, segundo Matheus, apareceu um segurança que disse que seriam expulsos do trem se não parassem com o barulho. “Acabamos com a cerveja do trem”, disse.

Sozinho não!

Vinícius Garcia fez uma corrida com um motorista russo que só trabalhava acompanhado da mulher (Foto: Arquivo pessoal) Vinícius Garcia fez uma corrida com um motorista russo que só trabalhava acompanhado da mulher (Foto: Arquivo pessoal)

Vinícius Garcia fez uma corrida com um motorista russo que só trabalhava acompanhado da mulher (Foto: Arquivo pessoal)

"A gente pediu um Uber normal, e chegaram duas pessoas: o motorista, e uma mulher no banco de trás. A gente falou: 'tem alguém já?'. Ele respondeu: 'não, é a minha esposa'. E tudo pelo Google Tradutor". Vinícius Garcia, empresário de 29 anos, contou que o russo com quem fez a viagem em Samara não trabalhava desacompanhado, sempre aos olhos da esposa.

O brasileiro, que mora em Maringá (PR), contou que fez uma corrida curta, mas que ele e os amigos tinham interesse de fazer, por fora do aplicativo, uma viagem de Samara até Kazan, onde o Brasil enfrentaria a Bélgica - e também onde se despediram da Copa.

Diante da proposta, o russo concordou em levá-los, e garantiu que apareceria sozinho no dia seguinte, para que o grupo tivesse mais espaço para as malas. Na hora da corrida, a surpresa: “desculpa, ela quis vir. Não me deixou vir sozinho”, lamentou o motorista.

Vinícius e os amigos toparam mesmo assim, e dividiram o carro com a esposa do motorista pelos mais de 350 quilômetros que separam as duas cidades. “Tudo o que a gente falava com ele, a esposa respondia. Quando foi fechar o preço, ela falava: ‘8 mil rublos’. Tudo era ela”, falou o brasileiro que, de ingressos comprados, continua na Copa mesmo sem o Brasil. Para ele, a única esperança é a França não levar o título. “Ver a França campeã de novo não dá”, declarou.

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