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Laudo aponta que esteticista morreu em virtude de plásticas em Cuiabá

 
A um dia de completar um mês da morte da jovem Edleia Danielle Ferreira Lira, 33, após ser submetida a 2 cirurgias plásticas, o Instituto Médico Legal (IML) concluiu que a morte foi ocasionada por um choque hemorrágico hipovolêmico em razão do procedimento cirúrgico. Os indícios apontam que foi retirado um excesso de gordura do corpo da jovem.

O laudo reforça a informação que constava na certidão de óbito emitida no dia 13 de maio, quando foi confirmada a morte cerebral de Danielle. A jovem morreu 2 dias após passar por uma lipoescultura e mamoplastia redutora com o médico Eduardo Santos Montoro, pelo programa “Plástica Para Todos”, que busca facilitar o acesso à cirurgia plástica a preços mais baixos do que os oferecidos no mercado.

De acordo com o diretor do Instituto Médico Legal (IML), João Marcos Rondon, o laudo aponta que a causa da morte foi choque hemorrágico em função do sangramento oriundo da lipoescultura. Segundo ele, na ocasião de uma lipoaspiração é retirada a gordura e, com isso, o corpo perde sangue que é aspirado também.

No entanto, no caso de Edleia foi perdido mais sangue do que deveria. “Você tem níveis laboratoriais que o índice de hemoglobina abaixou para algo incompatível com a vida. Por algum motivo a quantidade de gordura que saiu fez com que ela tivesse queda abrupta das taxas laboratoriais incompatível com uma pessoa hígida”, disse.

O laudo analisou os prontuários fornecidos, bem como a certidão de óbito. No entanto, nesses documentos não consta informações de quantos litros de gordura foi retirado da paciente. No entanto, segundo o diretor, ela não apresentava nenhum histórico de problemas de saúde que pudessem impedi-la de realizar as cirurgias. Ao todo, os procedimentos duraram cerca de 6 horas.

O diretor explicou ainda que em função da diminuição do sangue dentro dos vasos, em razão da perda, houve a queda de pressão arterial que evoluiu para outras complicações, inclusive as paradas cardíacas. “Iniciou a cascata de complicações posteriores. A hemorragia e depois a parada respiratória”, disse.

Após a realização das cirurgias, já no quarto de hospital, Danielle chegou a ficar sem pulso, teve uma parada cardiorrespiratória e, horas depois, foi transferida para o hospital Sotrauma. Isto porque o Hospital Militar não possui Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

Já no hospital Sotrauma, Danielle foi levada diretamente para a UTI e medicada. Porém, teve várias paradas cardíacas e, na sequência, teve paralisia cerebral e falência múltipla dos órgãos. Ela ficou internada na UTI por quase 2 dias. “Com o laudo, você consegue firmar essa sequência de fatos da cirurgia até a morte do paciente”, afirmou.

Ainda segundo o diretor, somente pelo laudo não é possível identificar que tenha ocorrido erro médico, uma vez que nenhum órgão da paciente ou mesmo de vasos sanguíneos foi perfurado. Além disso, afirmou que a demora no atendimento da paciente não contribuiu com a piora da saúde da paciente.

“Não é condição inerente o fato da existente da UTI para realizar uma cirurgia. Ela poderia sim ter realizado a cirurgia naquele hospital. (...) O atendimento prestado desde a primeira parada respiratória esteve dentro da regularidade. Se não tivesse feito a lipoaspiração, não teria evoluído ao óbito (...) Através do laudo estabelecemos um link direto entre a lipoaspiração e morte da paciente”, disse.

Desse modo, o laudo descarta que a mote da Edleia tenha sido uma fatalidade, como a empresa teria afirmado. Agora, em posse do laudo, a delegada Alana Cardoso, da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP), já instaurou um inquérito sobre o caso.

Segundo ela, o próximo passo é analisar a documentação uma vez que há indícios de retirada excessiva de gordura, que apontaria para uma responsabilidade criminal.

“Realmente é um caso bastante técnico e temos que ter bastante responsabilidade, porque lipoaspiração acontece todo dia. É um procedimento estético comum. O que o laudo traz para nos é que há elementos a indicar que houve uma incompatibilidade do quadro clinico quando foi submetido à cirurgia com o fim dela”, disse.

Ainda de acordo com a delegada somente após a análise de toda a documentação é que será iniciado a fase de identificar os autores da responsabilidade criminal pela morte. “A partir daí vamos definir quais as oitivas serão necessárias; Vamos manter contato com toda a equipe médica e pessoas que presenciaram os procedimentos que foram realizados durante e pós cirúrgico”, disse.

A previsão é que a conclusão do inquérito seja feita em 30 dias. “É necessário um suporte de especialistas, cirurgiões e possivelmente novos laudos periciais se houver necessidade”, encerrou.


Gazeta Digital

 

 

 

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