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Professores vão à Câmara para explicar exposição polêmica em Divinópolis

Fotos produzidas por alunos de uma escola estadual de Divinópolis mostram obras de Da Vinci e Caravaggio misturadas a elementos contemporâneos. Uma petição online foi feita para pedir a retirada da exposição.

 
 -  Releituras de quadros de Da Vinci e Caravaggio, expostas no espaço GTO na Câmara Municipal, viraram polêmica na semana passada  Foto: Matheus Garrôch
Releituras de quadros de Da Vinci e Caravaggio, expostas no espaço GTO na Câmara Municipal, viraram polêmica na semana passada Foto: Matheus Garrôch

Os professores responsáveis pela exposição que gerou polêmica em Divinópolis pelas releituras feitas de obras de arte compareceram à Câmara Municipal na tarde desta terça-feira (12) para prestar esclarecimentos.

Segundo o Legislativo, o diretor, Fabrício Santos Gonçalves de Oliveira, a supervisora Michele Ribeiro, e as professoras de Língua Portuguesa e Artes, Maria Barreto e Bruna Diniz, foram convocados para esclarecer aos vereadores as questões interpretativas das imagens e a motivação do trabalho dos adolescentes.

A exposição, exposta há uma semana no Espaço Cultural Geraldo Teles de Oliveira (GTO), mostra fotografias que fazem uma releitura de obras de arte famosas. Em duas imagens, a integração entre elementos religiosos e objetos como uísque e uma raquete não foi bem recebida por todos que foram conferir o resultado.

Em seu pronunciamento, Maria Barreto afirmou que a exposição não tinha o interesse de debochar de nenhum assunto relacionado às imagens, mas sim fazer uma alusão artística à atualidade. Já Bruna Diniz ressaltou que as imagens são releituras e não cópias, e que, por isso, o processo de criação é diferente do original.

A releitura de 'A Ceia em Emaús', de Caravaggio, trocando a água e o vinho por uísque e energético é uma das imagens polêmicas de exposição (Foto: Matheus Garrôcho/G1) A releitura de 'A Ceia em Emaús', de Caravaggio, trocando a água e o vinho por uísque e energético é uma das imagens polêmicas de exposição (Foto: Matheus Garrôcho/G1)

A releitura de 'A Ceia em Emaús', de Caravaggio, trocando a água e o vinho por uísque e energético é uma das imagens polêmicas de exposição (Foto: Matheus Garrôcho/G1)

Na semana em que a exposição começou, uma petição online foi criada para a retirada da exposição sob alegação de as imagens feriam a fé católica. A vereadora Janete Aparecida (PSD) também informou ter pedido a retirada especificamente das duas fotos que geraram polêmica.

Após a participação dos professores, os vereadores concordaram que não há ofensa à fé. A Câmara informou em nota que a exposição continua no Espaço GTO até o dia 20 de junho.

Projeto escolar

"Um olhar para a história da arte" conta com 22 fotografias em que aparecem estudantes reproduzindo poses existentes em pinturas famosas com diferentes temáticas. Um informe, constante no mural da exposição, explica que a proposta é reproduzir fotos de obras que marcaram a história da arte e acrescentar a elas um elemento contemporâneo.

Na exposição o visitante pode ver, por exemplo, uma representação do quadro de Frida Kahlo, de 1941, "Autorretrato com Bonito", em que o papagaio sobre o ombro da artista mexicana é substituído por pelo personagem "Louro José", companheiro da apresentadora Ana Maria Braga em seu programa matinal na Rede Globo.

No entanto, em uma das duas reproduções que estão no centro da polêmica em Divinópolis, a pintura do italiano Leonardo Da Vinci "Salvador Mundi" (séculos 15 e 16), a figura de Jesus Cristo é substituída por uma estudante segurando uma raquete mata-mosquito e um repelente.

Na outra, que tem como inspiração o quadro "A Ceia de Emaús" (1601), do também italiano Caravaggio, o vinho e a água deram lugar ao uísque e energético e o pão, entregue a Jesus na obra original, foi substituído por um aparelho celular.

O diretor da escola responsável pela exposição, Fabrício Santos Gonçalves de Oliveira, relatou ao G1 que o trabalho foi feito por estudantes do 3º ano do Ensino Médio em 2017 e foi enviado para exposição na Câmara após ter sido bem recebido pela comunidade. Para ele, as críticas da última semana foram uma surpresa.

“Ficamos bastante surpresos com essa repercussão negativa por questões religiosas. O intuito do projeto nunca foi trabalhar questões religiosas. A professora, que trabalha conosco há 10 anos e sempre foi muito elogiada, nunca quis ofender ou gerar uma crítica negativa, muito menos trabalhar cunho religioso”, disse Oliveira.

Segundo o secretário geral da Câmara, Flávio Ramos, a Casa não faz censura prévia dos trabalhos expostos no local e que, até o final da semana passa, nenhum pedido formal havia sido feito para a retirada da exposição.

“A Câmara não faz censura prévia de conteúdo. O Espaço GTO é destinado para entidades e artistas da cidade e região para exporem seus trabalhos. O que a Câmara faz é ceder o espaço. O conteúdo é de inteira responsabilidade de quem apresenta seus trabalhos. A Câmara é um mero serviço de exposição de fomento da cultura. Até agora, não tivemos nada questionando a exposição que fosse formalizado", informou.

 

 

 

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