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Em novo clipe de Aíla, oxigênio vira artigo de luxo

“Será” usa tom surrealista para criticar abismos sociais e desigualdade.

 
 -    34;Será  34; faz uma referência direta ao “mal estar” que marca os tempos atuais  Foto: Divulgação
34;Será 34; faz uma referência direta ao “mal estar” que marca os tempos atuais Foto: Divulgação

No mais novo clipe da cantora Aíla, "Será", o oxigênio virou artigo de luxo – o livre arbítrio também. Imersa nessa realidade distópica, a artista paraense sobre tudo o que incomoda, oprime e escraviza. Sob direção de Roberta Carvalho e Vitor Nunes, o vídeo foi lançado nesta terça-feira (15).

A faixa, releitura da canção do pernambucano Siba, integra o álbum “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”, segundo da carreira da artista, nascida em Belém do Pará. Político do começo ao fim, o disco tem no “artivismo” sua tônica fundamental e traduz o desejo de Aíla de explorar cada vez mais seu lado performático, provocativo e questionador.

"Essa é uma das músicas mais fortes do disco, e ao mesmo tempo dançante, um dub que nos conduz a refletir. A letra escancara a relação do homem com o capital, reflete sobre a ‘precificação’ de tudo, das relações, dos sentimentos, e até mesmo do ar que respiramos. Vivemos um tempo de angústias, medos e exclusões. Precisamos reagir. Ou viveremos eternamente sufocados", provoca Aíla.

"Será" faz uma referência direta ao “mal estar” que marca os tempos atuais (Foto: Divulgação) "Será" faz uma referência direta ao “mal estar” que marca os tempos atuais (Foto: Divulgação)

"Será" faz uma referência direta ao “mal estar” que marca os tempos atuais (Foto: Divulgação)

Para a artista visual e diretora Roberta Carvalho, a narrativa faz uma referência direta ao “mal estar” que marca os tempos atuais.“Construímos diversas hipérboles sobre questões do nosso agora para abordar o sistema de vida e de crenças criado e sustentado por nós mesmos - e o quanto ele nos oprime, nos angustia e nos faz mal. O clipe tenta nos levar a todo um conjunto de incômodos que permeiam temas como o direito à alimentação, à moradia, o conceito de justiça e como ele tem se desenvolvido na nossa prática social”, diz. O clipe também retrata uma sociedade soterrada por tributos, impostos e taxas que só acentuam os privilégios e abismos sociais.

“Criamos uma espécie de realidade aumentada. A gente, por um triz, não vive de maneira literal essa agonia que está ali representada. No roteiro, pensamos em trazer cenas que tratassem, de maneira surreal ou hiper-realista, de temas como o machismo, a poluição dos rios, a corrupção, o envenenamento de nossos alimentos e outros tantos dilemas que são latentes nos dias de hoje”, pontua Vitor Nunes, co-diretor que assina também a direção de arte.

O clipe usa como cenário dois espaços significativos da cidade de São Paulo: a Praça da Nascente, área verde que se mantém viva através de importantes movimentos de resistência ambiental na Zona Oeste, e que guarda uma nascente do riacho Água Preta. Além das dependências do Condomínio Cultural, associação voltada ao diálogo e experimentação artística, localizada na Vila Anglo Brasileira. O local já abrigou uma escola, uma maternidade, um hospital geriátrico, uma casa de repouso, até se tornar um prédio abandonado por mais de 15 anos e ter sua função ressignificada por um grupo de artistas no final de 2010.

“O ‘Condô’ é um lugar cheio de história, com muita significação nas paredes, pisos, corredores. Uma construção cheia de texturas, com um visual incrível - além de estarmos num espaço autônomo de arte que vem resistindo à ferocidade da especulação imobiliária em São Paulo. Isso é muito simbólico também", comenta Roberta.

“Será” integra uma série de cinco videoclipes – entre eles “Lesbigay”, lançado em 2017 e indicado a Melhor Videoclipe do Ano no Women's Music Event Awards, o primeiro prêmio da música brasileira dedicado exclusivamente às mulheres. A série vai originar também um pencard audiovisual, com todos os clipes e making of dos processos. O projeto tem o patrocínio da Vivo, via Lei de Incentivo à Cultura Semear, Fundação Cultural do Pará e Governo do Estado do Pará.

Envie vídeos, fotos e sugestões de pauta para a redação do G1 Pará no (91) 98814-3326

 

 

 

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