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Físico argentino desaparecido desde 1977 informa que está vivo nos EUA

Antonio Gentile estava em lista de desaparecidos do Instituto Balseiro de Bariloche ao lado de três outros cientistas. Família nunca pediu ou recebeu indenização; investigação tentará esclarecer porque reaparecimento não foi divulgado antes.

 

Um físico nuclear formado pelo Instituto Balseiro da Argentina e denunciado como desaparecido da última ditadura militar do país estabeleceu contato com essa instituição para confirmar que está vivo e que vive agora nos Estados Unidos, segundo confirmaram à Agência Efe fontes oficiais.

"Eles me ratificaram que sim, que tiveram a sorte de poder estabelecer contato com Gentile (a pessoa em questão), que este homem se comunicou e que está em perfeito estado de saúde", afirmou à Efe o secretário de Direitos Humanos argentino, Claudio Avruj.

Em 1977 se perdeu o rastro de Antonio Gentile - nascido em 1933 na cidade de Mar del Plata, na província de Buenos Aires - que estudou no Instituto Balseiro de Bariloche, na província de Río Negro, e figura na lista de cientistas desaparecidos dessa escola junto com Susana Grinberg, Eduardo Pasquini e Manuel Tarchitzky.

Por isso, o nome de Gentile foi protagonista de diversos atos de homenagem a vítimas da ditadura de organizações de direitos humanos do país, como as Avós da Praça de Maio.

Segundo explicou o titular de Direitos Humanos, em 2015 se recebeu nessa secretaria, na província do Rio Negro, a denúncia formal de desaparecimento por parte de ex-companheiros do entorno profissional de Gentile e se iniciou um expediente para inclui-lo na Comissão Nacional sobre Desaparecimento de Pessoas (Conadep).

Avruj afirmou que o relatório resultou inconclusivo por não contar com a informação necessária para completar o trâmite burocrático e que "não houve maiores reivindicações" a respeito.

As últimas informações sobre Gentile eram da década de 1970 e indicavam que, supostamente, ele estava viajando de Nova York a Buenos Aires para buscar uma irmã sua que tinha sido sequestrada durante a ditadura.

No entanto, Avruj afirmou que na Conadep, que registra mais de 9.000 casos, aparecem duas mulheres com o mesmo sobrenome, mas não há constância, por enquanto, que nenhuma seja sua parente.

"Em Rio Negro circula a informação de que é filho único", disse.

Avruj também destacou que os familiares de Gentile nunca solicitaram nem receberam a indenização econômica a que têm direito os parentes das pessoas mortas pela ditadura.

"Esta pessoa não cobrou indenizações, nenhum parente recebeu no seu nome e também não houve pagamento", confirmou o secretário.

Devido às estranhas circunstâncias pelas quais se soube que Gentile segue vivo - levando em conta que o Instituto Balseiro recebeu esta informação há várias semanas, mas não a divulgou -, o caso suscitou reações que põem em dúvida o trabalho dos organismos que trabalham para encontrar estas pessoas.

Por esta razão, a secretaria conduzida por Avruj se comunicará novamente com a instituição para investigar como se conheceu a notícia e esclarecer por que não foi publicada muito antes, assim como para tentar entrar em contato diretamente com Gentile.

"Este fato não mancha todo o trabalho que se tem feito pela busca das pessoas desaparecidas. É um capítulo da busca, de alguém que não se sabia o paradeiro, mas não se pode banalizar o drama das vítimas do terrorismo de Estado e dos organismos de direitos humanos", concluiu Avruj.

Gentile foi docente entre os anos 50 e 60 na Universidade de Buenos Aires e desenvolveu grande parte da sua carreira científica na Comissão Nacional de Energia Atômica, após o que se mudou aos Estados Unidos para continuar com seu trabalho em outra universidade.

 

 

 

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