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Eletrobras vê vários interessados em distribuidoras e estima leilão em 4 de maio

 
A Eletrobras prevê vários interessados em suas distribuidoras de energia, muitos deles tradicionais companhias que já atuam no setor no Brasil, informou nesta quarta-feira (14) o presidente da elétrica estatal, Wilson Ferreira Jr., que indicou que a licitação para privatização dessas concessionárias deve ocorrer em 4 de maio.

"Os interessados principais neste momento são os que já estão no Brasil, os operadores tradicionais", afirmou Ferreira.

Ele apontou Equatorial, Energisa e a italiana Enel entre as interessadas.

"Alguns deles já fizeram mais... já fizeram diligências. E têm demonstrado interesse nessas concessões", adicionou.

Segundo Ferreira, as distribuidoras da estatal "são grandes oportunidades", uma vez que há muito espaço para melhorar os indicadores.

"Como é que cria valor em empresa de distribuição? É importante que vocês saibam. Você tem que ter primeiro perdas reais menores do que as perdas regulatórias. A nossa está maior. Você tem que ter custos operacionais menores do que os custos regulatórios. O nosso está maior...", afirmou.

As distribuidoras que a Eletrobras quer vender no Norte e Nordeste, que operam em Acre, Alagoas, Amazonas, Roraima, Rondônia e Piauí, são deficitárias e acumularam dívidas bilionárias.

Para viabilizar a privatização, a holding elétrica assumiu R$ 11,2 bilhões em dívida das distribuidoras, além de possíveis passivo extras que surjam para as empresas junto a fundos setoriais, como a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), que custeia subsídios no setor elétrico.

Mas a Eletrobras avalia que decisões judiciais e mudanças legislativas levarão a um recálculo desses passivos, que então se tornariam créditos a receber no valor de até R$ 8,5 bilhões.

Esses créditos estão sendo discutidos com a agência reguladora Aneel.

Fiscalizações preliminares da Aneel haviam apontado que as distribuidoras precisariam devolver até R$ 4 bilhões aos fundos do setor, em um valor que incluía uma cobrança junto à Eletroacre que foi cancelada após uma reavaliação dos técnicos.

A distribuidora no Acre tem R$ 163,25 milhões a receber de um fundo, segundo a mais recente avaliação de técnicos da Aneel, de acordo com documento visto pela Reuters nesta semana. Anteriormente, o órgão regulador cobrava que R$ 275,25 milhões fossem devolvidos pela empresa.

O CEO da Eletrobras reafirmou que a companhia espera ter uma solução no âmbito administrativo para a discussão de tais valores, e ressaltou que poderia entrar na Justiça para garantir os alegados direitos da empresa.

Modelagem

O leilão das distribuidoras da Eletrobras prevê um preço simbólico para cada empresa, de R$ 50 mil, associado a obrigações de investimentos e aportes de recursos nas concessionárias.

Pelas regras da licitação, o vencedor da disputa por cada concessionária deverá realizar aportes nas empresas após a compra que variam de cerca de R$ 240 milhões nas elétricas de Rondônia e do Acre a um máximo de R$ 721 milhões, na Cepisa, do Piauí.

Somadas as seis distribuidoras, o aporte imediato de capital exigido será de R$ 2,4 bilhões.

O valor representa cerca de 30% do total de investimentos previstos para os cinco primeiros anos de operação das distribuidoras, estimados em R$ 7,8 bilhões, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que tem assessorado o processo de desestatização.


G1

 

 

 

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