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'''Tomb Raider – A origem''' traz Lara Croft '''millennial''' em filme de ação mediano; G1 já viu

Alicia Vikander, ganhadora do Oscar, assume papel de heroína dos games em terceiro filme da série. Estreia é nesta quinta-feira 15 .

 
 -  Alicia Vikander em cena de   39;Tomb Raider – A origem  39;, que estreia nesta quinta-feira  15   Foto: Divulgação
Alicia Vikander em cena de 39;Tomb Raider – A origem 39;, que estreia nesta quinta-feira 15 Foto: Divulgação

A versão 2018 da caçadora de tesouros Lara Croft, que retorna aos cinemas nesta quinta-feira (15) em "Tomb Raider – A origem", é um exemplo clássico da pessoa "leite com pera":

Se acha malandra, perspicaz, audaciosa... mas no fim acaba cansando da correria e mandando um "whats" pro pai vir buscar depois da balada.

A pegada "millennial" não é uma surpresa total. Afinal, o novo filme sobre a heroína dos games, que já foi interpretada duas vezes por Angelina Jolie e agora tem Alicia Vikander no papel, pega muita coisa emprestada do jogo de 2013.

O game era responsável por transformar aquela Lara Croft hipersexualizada dos anos 1990 em uma aventureira jovem e inexperiente, mas muito destemida.

A renovação nos videogames deu muito certo. Lara Croft evoluiu de objeto de adoração de homens para exemplo de força e valentia para homens e mulheres.

No cinema, no entanto, falta à nova Lara um tiquinho de carisma e propósito depois de tanto mimo. "Tomb Raider – A origem" não é um filme de ação ruim. É só chato e mediano.

Eu me desenvolvo e evoluo com meu pai

Veja o trailer de 'Tomb Raider – A origem

Veja o trailer de 'Tomb Raider – A origem'

Na trama, a jovem Lara Croft renega a herança milionária do pai, um empresário desaparecido há 7 anos, por acreditar que ele ainda esteja vivo. Enquanto isso, ela conta vantagem no treino de MMA (mesmo apanhando). E faz entregas de bicicleta por Londres (dureza) para tentar pagar os boletos que pintam todo mês.

A situação muda quando ela topa uma aposta, perde a aposta, vai presa, reclama de quem veio livrar sua barra. Diante mais uma vez da face inescrupulosa da conta-corrente zerada, e meio que só por isso, topa encarar o contrato da herança.

É quando ela descobre um quebra-cabeças deixado pelo pai com possíveis pistas do seu paradeiro, uma ilha remota no mar do Japão que, de quebra, seria lar de uma maldição milenar. Bom, que se danem as contas vencidas, é hora de cair na aventura!

Daniel Wu e Alicia Vikander em cena de 'Tomb Raider – A origem' (Foto: Divulgação) Daniel Wu e Alicia Vikander em cena de 'Tomb Raider – A origem' (Foto: Divulgação)

Daniel Wu e Alicia Vikander em cena de 'Tomb Raider – A origem' (Foto: Divulgação)

Em sua estreia como protagonista de Hollywood, Alicia Vikander não tem muita culpa na receita do bolo. É verdade que a vencedora do Oscar por "Garota dinamarquesa" não parece estar super empolgada em nenhum momento.

Mas também é verdade que ela foi presenteada com uma Lara Croft rasteira, cujas ações e diálogos sofrem no quesito audácia e obstinação – dois de seus traços mais fortes.

O roteiro de "Tomb Raider – A origem", no geral, compartilha dessa falta de sal e é o ponto mais fraco do filme. No game de 2013, o pai de Lara é uma inspiração, um desejo de resposta. Mas são seus amigos, sua determinação e sua recém-descoberta predisposição à sobrevivência que fazem a personagem crescer.

Não é isso que acontece no filme. A vaga imagem do pai se torna o ponto central das intenções e reações da aventureira. E Lara Croft passa por tudo que está passando não por si mesma, mas pela lembrança de outra pessoa.

No limite

Alicia Vikander em cena do novo filme de 'Tomb Raider' (Foto: Divulgação) Alicia Vikander em cena do novo filme de 'Tomb Raider' (Foto: Divulgação)

Alicia Vikander em cena do novo filme de 'Tomb Raider' (Foto: Divulgação)

Já as cenas de ação, em sua maioria na ilha de Yamatai, também ficam na média. Os momentos de luta têm Lara Croft do kickboxing ao jiu-jitsu, mas são editados com muitos cortes. Tira a naturalidade dos golpes.

E numa tentativa mirim de agradar os fãs do game, o diretor Roar Uthaug teve a cara de pau de colocar Lara sacando seu icônico arco e flecha no meio de um tiroteio pesado em que ela está em evidência – mas, é claro, acertando uma dezena de capangas.

Afinal, ela já treinou com a arma nesse mesmo filme, em uma cena na adolescência. O que são alguns anos sem prática?

Mas "Tomb Raider – A origem" tenta reencenar partes bacanas do game. O processo de amadurecimento de Lara Croft, um dos pontos que mais aproximaram a personagem dos jogadores, é retratado em alguns momentos. A morte, por exemplo, não é um acontecimento gratuito para a heroína. Pena que no filme esse lado acaba meio ofuscado pela parte menina mimada.

E as cenas de sofrimento extremo, icônicas, de arrepiar a nuca, também aparecem. Então pode se preparar para ver Alicia Vikander ralando pra sobreviver. Ela pousa paraquedas no meio de uma mata fechada e até escala um avião enferrujado preso em cima de uma queda d'água considerável.

Pronta pra próxima?

Cenas de sobrevivência de 'Tomb Raider' são inspiradas em momentos do game de 2013 (Foto: Divulgação) Cenas de sobrevivência de 'Tomb Raider' são inspiradas em momentos do game de 2013 (Foto: Divulgação)

Cenas de sobrevivência de 'Tomb Raider' são inspiradas em momentos do game de 2013 (Foto: Divulgação)

Por essas e outras (a sensação de aventura de um "Indiana Jones" ou "Código Da Vinci" nunca envelhece), o novo filme de "Tomb Raider" tem seu valor. E é uma boa chance de emplacar uma protagonista mulher nos cinemas em tempos de empoderamento e movimento "MeToo".

Mas será que essa nova empreitada de Lara Croft no cinema resiste a mais uma versão piorada da mesma aventura dos videogames? Será que esse movimento ainda é preciso quando a indústria de jogos lucra mais que a dos filmes? Vai ver certas histórias ficam melhores em um, não no outro, e é assim que deve ser.

 

 

 

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